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O Instituto Butantan deu início nesta quarta-feira (17) ao Projeto S, que visa avaliar a eficiência da vacina CoronaVac no mundo real. Os pesquisadores começaram a vacinar toda a população do município de Serrana, no interior de São Paulo, para analisar os efeitos práticos da vacinação em uma comunidade.

Mais do que os índices de proteção ao indivíduo que se vacina, o estudo pretende analisar o resultado em uma escala municipal, permitindo acompanhar se a distribuição da CoronaVac tem impacto claro na transmissibilidade do vírus, na pressão sobre o sistema de saúde de Serrana e até mesmo se há um efeito claro na retomada da economia da região.

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A cidade de Serrana tem 48 mil habitantes, mas apenas os maiores de 18 anos participarão do estudo, com a expectativa de que 30 mil moradores da cidade acabem participando do projeto. Em 11 de fevereiro, já havia mais de 23 mil inscritos, e agora será aberta uma nova fase de inscrições.

A escolha da pequena cidade no interior para o estudo teve algumas razões claras. A primeira é o número de habitantes pequeno, que permite cobrir rapidamente a toda a população sem consumir um volume muito grande de doses. A segunda é que o município também já tem um alto índice de contaminação, que viabiliza comparar a imunidade produzida pela vacina e a produzida pela infecção. Por fim, Serrana é vizinha de Ribeirão Preto, que é um dos principais polos científicos do estado de São Paulo, permitindo um acompanhamento próximo do estudo.

Apesar do início da vacinação ser agora, o estudo já está em andamento desde setembro, quando os pesquisadores começaram a monitorar a cidade para casos de Covid-19 e rastreamento de contatos e uma pesquisa sobre os hábitos dos moradores de Serrana e a disposição para vacinação. Pesquisas prévias, de junho, mostravam também que 8,75% dos habitantes haviam tido contato com o vírus por meio da análise da sorologia, demonstrando alta incidência no local. Também será realizada análise imunológica nos 30 mil participantes que trará mais clareza para os resultados do estudo.

A proximidade de Ribeirão Preto também traz outro ponto positivo para o estudo, porque uma boa parte dos habitantes de Serrana vai à cidade vizinha todos os dias para trabalhar, ou quaisquer outras atividades. Ricardo Palácios, diretor de estudos clínicos do Butantan, afirma à Agência Fapesp que essa circulação também permite entender melhor o impacto do deslocamento nos efeitos da vacinação.

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Para realizar o estudo, a cidade foi dividida em 25 setores e a ordem da distribuição da vacina se dará por um sorteio, com previsão de que a vacinação se estenda pelos próximos dois meses. No entanto, os pesquisadores determinaram que dois setores vizinhos não sejam vacinados simultaneamente, para garantir a possibilidade de comparação entre uma área imunizada e a outra que ainda não recebeu as doses. A expectativa é de que os resultados sejam apresentados a partir de maio.