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A sonda chinesa Tianwen-1 acionou seus propulsores nesta segunda-feira (15) em uma manobra para se colocar em uma órbita polar ao redor de Marte. Agora a equipe responsável pela missão se dedicará a uma checagem sistemática de todos os equipamentos a bordo, parte dos preparativos de uma tentativa de pousar um robô explorador (rover) no planeta programada para maio deste ano.

“O principal objetivo da missão é buscar e mapear a distribuição de água congelada na superfície e subsolo” de Marte, disse Long Xiao, cientista planetário na Universidade Chinesa de Geociência, em declaração ao site Space News. Também serão conduzidos estudos da ionosfera e magnetosfera do planeta.

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Os dois possíveis locais de pouso do rover são uma região conhecida como Chryse Planitia, ao norte do Equador de Marte e a leste da região de Tharsis, e a Utopia Planitia, local de pouso da missão norte-americana Viking 2 em 1976. As coordenadas exatas são mantidas em segredo.

Mapa mostra os possíveis locais de pouso da Tianwen-1 em Marte. A área 1 fica na Chryse Planitia, e a área 2 em Utopia Planitia.
Possíveis locais de pouso da Tianwen-1 em Marte. A área 1 fica na Chryse Planitia, e a área 2 em Utopia Planitia. (Imagem: Zou Yongliao, et al.)

Tianwen-1: sequência de pouso

“Quando o módulo de pouso (lander) entrar na atmosfera marciana, ele enfrentará altas temperaturas e sua trajetória será desviada devido a efeitos aerodinâmicos, o que terá um impacto negativo na desaceleração”, diz Tan Zhiyun, vice-projetista chefe da espaçonave na China Aerospace Science and Technology Corporation, em declaração ao canal estatal de TV China Central Television (CCTV). “Considerando a imprevisibilidade da atmosfera marciana, haverá muita incerteza e riscos”, afirmou.

A seguir o lander acionará seu paraquedas, reduzindo sua velocidade para menos de 100 metros por segundo (cerca de 360 km/h). “O processo vai levar entre 80 e 100 segundos. Quando chegar a 100 metros sobre a superfície de Marte, ele irá pairar”, disse Tan.

Neste momento, um sensor de micro-ondas capaz de medir distância e velocidade irá mapear a superfície, e uma câmera laser tridimensional irá fotografar o local de pouso. Se necessário o lander poderá fazer manobras de translação (movimentos laterais) para se assegurar de que pousará em um local seguro.

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Todo o processo, do início da descida até o lander tocar o solo, levará cerca de nove minutos, durante os quais ele irá desacelerar de 17.600 km/h para zero. Miao Yuaming, vice-projetista chefe de sondas marcianas na China Aerospace Science and Technology Corporation, lembrou aos repórteres da CCTV que das 44 missões lançadas rumo a Marte desde 1960, 25 resultaram em fracassos.

Entretanto, ele também lembrou que das dez missões mais recentes lançadas desde 2006 apenas uma fracassou, o que mostra o progresso que fizemos em anos recentes.

Fonte: Space.com