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Os últimos dias trouxeram novidades importantes sobre as vacinas contra Covid-19. Em especial, as vacinas de mRNA, como da Pfizer e da Moderna, que já estão em amplo uso nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Novos testes e análises demonstraram, ao mesmo tempo, que as vacinas podem ser mais eficazes em determinadas situações, mas podem perder eficácia em outras.

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Vacinas mais eficazes?

Uma questão que deixou pesquisadores confusos na época das primeiras apresentações de resultados de fase 3 das vacinas de mRNA: por que a vacina da Moderna já demonstrava alta eficácia, com índices na faixa dos 90% de proteção, no período entre a primeira dose e a segunda, e a da Pfizer não, considerando que as duas usam basicamente a mesma tecnologia?

Na época, os resultados apresentados pela Pfizer demonstravam eficácia na faixa dos 50% após a primeira dose, com os resultados realmente fortes apenas após a segunda aplicação, elevando a proteção para o patamar dos 90%.

Um cientista independente diz ter a resposta. Em carta enviada ao New England Journal of Medicine, os médicos canadenses Danuta M. Skowronski e Gaston De Serres argumentam que a discrepância entre os resultados de ambas as vacinas tem origem em um erro de contagem de casos de Covid-19 após a primeira dose da Pfizer. Segundo eles, a empresa contabilizou nos cálculos de eficácia casos ocorridos menos de uma semana após a primeira aplicação, que é um prazo no qual o organismo ainda não teve tempo de desenvolver a resposta esperada.

Segundo eles, com o novo cálculo, a vacina teria 92,3% de eficácia após a primeira dose, descartando casos ocorridos imediatamente após a aplicação. Com um resultado tão forte, eles defendem que o intervalo de vacinação seja ampliado nos Estados Unidos, deixando o reforço para depois, em favor de imunizar o máximo possível de pessoas com uma dose. Atualmente, o intervalo recomendado é de 21 dias para a Pfizer e 28 dias para a Moderna.

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Outra notícia positiva veio de um estudo realizado com a vacina da Moderna. Um ensaio de fase 2 experimentou uma dosagem menor do imunizante e os resultados também se mostraram satisfatórios.

Vacina da Moderna
Vacina da Moderna demonstra bons resultados mesmo com dosagem menor. Foto: Giovanni Cancemi/Shutterstock

Hoje, cada aplicação da vacina da Moderna conta com 100 µg do material, mas a empresa decidiu testar os resultados de imunogenicidade com 50 µg em cada injeção. E os resultados foram positivos. Após a segunda injeção com uma dosagem menor, o resultado foi praticamente igual ao da dosagem maior.

O estudo de fase 2 mede apenas a imunogenicidade da vacina, o que significa a capacidade de produção de resposta imunológica, como anticorpos e células T. Agora, os cientistas esperam realizar a fase 3, com milhares de voluntários, para testar sua eficácia, que é o quanto essa resposta induzida é capaz de proteger quem é imunizado.

Os benefícios, caso esse alto nível de proteção se confirme, seriam óbvios. Do dia para a noite, a empresa dobraria seu estoque, permitindo acelerar a distribuição e alcançar mais pessoas em menos tempo.

Menos eficazes?

Se novas avaliações sobre as vacinas sugerem um novo regime de distribuição mais eficiente e ágil, outros estudos também trazem algumas informações mais preocupantes em relação a imunidade induzida pelas vacinas em contato com as novas variantes.

Em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Texas publicado no New England Journal of Medicine, os cientistas analisaram amostras de sangue de quem recebeu o imunizante da Pfizer e perceberam que houve uma queda de dois terços no potencial neutralizante quando o sangue foi exposto a um vírus produzido para apresentar as mutações presentes na variante B.1.351, descoberta e que se tornou predominante na África do Sul.

Variantes do coronavírus
Variantes descobertas no Brasil e na África do Sul ameaçam imunidade gerada por vacinas de mRNA. Imagem: Lightspring/Shutterstock

Um outro estudo, ainda não revisado, mas realizado com múltiplas das variantes preocupantes, incluindo a P.1 e a P.2, que foram descobertas no Brasil, também demonstrou risco de escape imune de algumas das cepas em circulação no mundo.

Na pesquisa, a variante descoberta no Reino Unido, a B.1.1.7, provocou basicamente a mesma atividade neutralizante das versões mais antigas do coronavírus, que circularam pelo mundo de forma ampla durante 2020. No entanto, essa atividade sofreu um declínio mais significativo com as cepas P.1 e P.2, em circulação no Brasil, e ainda mais drástico contra a B.1.351, dominante na África do Sul.

Vale notar que ambos os estudos foram realizados com amostras de sangue de pessoas vacinadas e não são uma análise de eficácia. Eles servem apenas como um indicador do que pode se esperar em testes no mundo real.

É esperado que as vacinas de mRNA sejam mais suscetíveis ao escape imune causado por mutações do coronavírus, já que elas induzem imunidade contra uma proteína específica do Sars-Cov-2, a proteína S, utilizada pelo vírus para se ligar aos receptores ACE-2 e tomar controle das células. Por outro lado, as vacinas inativadas, como a CoronaVac, tendem a responder melhor contra mutações, já que o sistema imunológico é apresentado ao vírus inteiro já “morto”, permitindo desenvolver resposta contra ele inteiro, em vez de uma parte específica.