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Desde 2018, o Facebook é acusado de enganar anunciantes inflando as métricas de visualização, efetivamente cobrando por anúncios que não chegariam ao usuário final. Nesta semana, novas informações reveladas com o andamento do processo coletivo contra a empresa indicam que a companhia estava ciente dessa discrepância e evitaram agir para corrigi-la.

Partes dos documentos, que tiveram seu sigilo revogado na quarta-feira (17), mostram e-mails trocados internamente na companhia. Um gerente de produto no Facebook percebeu que a rede social estava “reportando receitas que nunca deveriam ter sido recebidas”, justamente pelo fato de que os anúncios não eram entregues conforme o contrato.

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As conversas mostram que ele tentou revisar as métricas para torná-las mais precisas e justas. No entanto, executivos se mostraram contrários à mudança, afirmando que o impacto nas receitas seria significativo.

O processo movido por uma empresa nos Estados Unidos contra o Facebook, cita justamente que os anunciantes recebiam falsas promessas de alcance de usuários. A companhia é acusada de incluir contas falsas e duplicatas nas contas de quantas pessoas seriam alcançadas pela publicidade.

No entanto, como aponta o Financial Times, o Facebook se defende afirmando que as estimativas apresentadas eram apenas isso: estimativas. O pagamento dos anunciantes é calculado com base em cliques e em quantas vezes os anúncios são exibidos para as pessoas.

Ainda assim, os autores do processo acreditam que a prática foi ilegal, já que, ainda que as estimativas sejam apenas projeções de alcance, sem efeito no valor pago, as empresas ainda se baseavam nela para decidir onde alocar sua verba publicitária. Assim, os anunciantes se sentiram lesados quando descobriram que os números eram meramente uma ilusão.

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O Facebook comentou sobre os documentos e alega que a divulgação está sendo feita de forma seletiva para apoiar a narrativa construída pela acusação. A companhia também defende que o “alcance potencial” é “uma ferramenta útil de planejamento pela qual os anunciantes nunca são cobrados. É uma estimativa, e deixamos claros como é calculada em nossa interface de anúncios e na Central de Ajuda”.

A acusação alega que a empresa chegou a fazer mudanças no cálculo da estimativa de alcance, mas, pelo menos até 2020, ainda computava contas falsas e duplicadas nas contas, inflando o potencial de pessoas que poderiam ser alcançadas.

O processo não é o único enfrentado na história do Facebook com a acusação de que a empresa estaria inflando estatísticas. Entre 2015 e 2016, a empresa chegou a encerrar uma ação que apontava que as métricas de visualização de vídeos eram enganosas com um acordo.