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Apesar de prefeituras e governos estaduais do Brasil estarem adotando medidas restritivas para impedir o avanço da Covid-19, especialistas dizem que a situação seria outra se ações mais rígidas — como o lockdown — tivessem sido impostas antes. Na quarta-feira (24), o Brasil alcançou a trágica marca de 250 mil mortos pela doença e registrou novo recorde na média móvel de óbitos nos últimos sete dias, com 1.129 casos.

Para conter o avanço do novo coronavírus no país, nesta semana foram anunciadas novas restrições de circulação em São Paulo, uma combinação de toque de recolher e Lei Seca em Uberlândia, o fechamento de praias do Nordeste e a adoção de um lockdown em Araraquara (SP). Essas medidas — e outras ainda mais rígidas — deveriam ter sido usadas para prevenir o avanço da doença, não com o intuito de resolver o quadro atual, que já é bastante grave.

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Profissionais da área médica carregando indivíduo morto pela Covid-19
Média móvel de mortos por Covid-19 no Brasil continua acima de mil. Foto: Pimen/Shutterstock

Agora, estados e municípios têm de correr para minimizar os danos, porque a propagação do novo coronavírus não foi combatida de forma rígida antes. “Todos sabíamos que os números voltariam a crescer — e avisamos. O governo federal nunca tomou a frente, assim como estados e municípios, por motivos econômicos e eleitorais, seguraram seus números no ano passado. Agiram como se tudo estivesse bem, mas nunca tivemos pleno controle da pandemia”, afirma Domingos Alves, professor da USP de Ribeirão Preto.

Segundo ele, um lockdown entre março e maio de 2020 seguraria o impacto da primeira onda da doença e ações entre outubro e dezembro enfraqueceriam o potencial da segunda. Israel, um dos países que o governo federal tem como modelo, fez um lockdown rigoroso e obteve bons resultados, lembra a microbiologista Natalia Pasternak. Os EUA, líderes em número de casos e óbitos, também têm observado diminuição no número de ocorrências. Já a situação no Brasil piora dia após dia.

Ainda dá tempo

Uma das formas para frear o avanço da Covid-19 no país é a adoção do lockdown. A medida funciona melhor quando é implantada uniformemente e deve ser usada para prevenir a Covid-19, mas o infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) não é tarde demais para agir. “Tivemos momentos de grande impacto da pandemia em que o lockdown seria muito bem-vindo. [Ainda] não está tarde: há variantes chegando e altas taxas de ocupação em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs)”, diz.

Lockdown pode ser essencial para frear avanço da Covid-19 no país. Foto: AGB Photo Library/Shutterstock

Medidas como aumento da aplicação de testes, mapeamento do vírus, estímulo ao uso de máscaras faciais, restrições de circulação e celeridade nas campanhas de vacinação também são essenciais para que os casos de Covid-19 diminuam gradativamente no Brasil.

O que diz o governo

Ao Uol, o Ministério da Saúde afirmou que, “por ser um país continental, o Brasil não deve ter medidas únicas. Essas ações devem ser tomadas de acordo com as necessidades de cada região, levando em conta parâmetros como quantidade de leitos ocupados, quantidade de casos e óbitos, quantidade de profissionais, insumos e equipamentos de proteção individual”.

Ainda segundo o órgão, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu autonomia a Estados e municípios para tomarem as melhores decisões para suas populações. Com isso, “cabe às autoridades locais decidirem sobre as medidas não farmacológicas a serem adotadas”. Especialistas lembram que a decisão do STF não isenta o governo federal de organizar o combate à pandemia.

Via: Uol