As descobertas sobre a Covid-19 têm servido para ajudar a identificar possíveis casos graves da doença. Agora, um estudo do Centro Médico da Universidade do Estado de Nova York, nos EUA, mostra que uma taxa alta de açúcar no sangue pode ser um agravante da infecção. A novidade não se aplica apenas a casos de pacientes com diabetes: de acordo com a pesquisa, indivíduos que cuja glicemia não é controlada durante a internação apresentam maior risco de intubação e morte.

Os estudiosos perceberam que pacientes com índices de glicose superiores a 140 miligramas por decilitro têm 2,4 vezes mais chances de ficar na unidade de terapia intensiva (UTI) e precisar de intubação. Já em pacientes com taxas acima de 180 miligramas por decilitro, a chance de óbito hospitalar pode dobrar.

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A análise aponta, ainda, que há 3,5 vezes mais chance de o doente ter de ir para a UTI e os riscos de intubação e de lesão renal aguda são 2,3 vezes maiores quando o nível de açúcar aparece elevado no sangue de um paciente não diabético. Para esses indivíduos, quando o índice ultrapassa os 180 miligramas por decilitro, o risco de morte chega a quadruplicar.

Monitoramento regular e frequente de glicose no sangue ajuda pacientes com Covid-19. Créditos: Shutterstock

Monitoramento frequente da glicose

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam 708 adultos com Covid-19 internados na unidade hospitalar em Nova York. Cerca de metade deles eram homens, 54% tinham histórico de diabetes e 89% eram negros — nos EUA, 58% das vítimas fatais eram pacientes negros. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA afirma que o risco de infecção, hospitalização e morte para negros é maior do que para brancos.

Segundo os responsáveis pelo levantamento, ainda é cedo para afirmar se a hiperglicemia é resultado ou causa de quadros graves de Covid-19. Já é possível sinalizar, porém, que pacientes com sintomas graves da doença precisam de monitoramento frequente da glicose no sangue, mesmo quando não há diagnóstico prévio de diabetes.

Vale lembrar que outro estudo, esse feito no Brasil pelo Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), comprovou que o alto teor de glicose no sangue favorece a propagação do novo coronavírus. O experimento demonstrou que a hiperglicemia é captada pelas células de defesa e serve como fonte de energia extra para o vírus — o que faz que ele se replique mais do que em um organismo saudável.

Via: Revista Galileu