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Após a aproximação de dois asteroides com centenas de metros e de vários meteoros atravessarem nossa atmosfera nas últimas semanas, muita gente se pergunta se não estaríamos passando por um aumento nas detecções de asteroides e meteoros. A resposta é sim, mas isso não é o sinal do fim dos tempos.

Impressão artística da aproximação do Asteroide Apophis, a menos de 40 mil km da Terra em 2029 - Créditos: Detlev van Ravensway/SPL
Impressão artística da aproximação do Asteroide Apophis, a menos de 40 mil km da Terra em 2029 – Créditos: Detlev van Ravensway/SPL

Antes de qualquer coisa, vamos lembrar que asteroide é um pedaço de rocha espacial em órbita do Sol, que pode medir de um metro a centenas de quilômetros. Os menores de um metro são chamados de meteoróides. Quando atingem a atmosfera da Terra, asteroides e meteoróides geram um fenômeno luminoso conhecido como meteoro. A diferença entre eles é sutil. Asteroides e meteoróides são objetos físicos, enquanto o meteoro é o fenômeno luminoso gerado pela interação desses objetos com a atmosfera. E ambos têm sido cada vez mais detectados, pelos telescópios que buscam por asteroides próximos à Terra, e pelas câmeras que registram a passagem de meteoros pela atmosfera.

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Um artigo publicado esse mês na Nature, chama a atenção para o recorde de asteroides descobertos no ano passado. Desde 1998, quando a NASA deu início à maior busca por asteroides próximos à Terra, os cientistas detectaram mais de 25.000 deles. E 2020 acabou sendo um ano recorde de descobertas. Apesar da pandemia COVID-19 interromper muitas das pesquisas, os astrônomos registraram a descoberta de 2.958 asteroides próximos da Terra.

Quantidade de asteroides próximos à Terra descobertos desde 1995 - Fonte: Nasa/CNEOS
Quantidade de asteroides próximos à Terra descobertos desde 1995 – Fonte: Nasa/CNEOS

Mas isso não significa que estão surgindo novos asteroides ou que eles estão sendo lançados em direção à Terra por um fenômeno espacial desconhecido. Na verdade, eles estão lá há bilhões de anos e sempre atingiram a Terra gerando belos meteoros e, eventualmente, alguma catástrofe global. Só que apenas agora, a humanidade tem se empenhado em descobrir e mapear esses pequenos objetos do sistema solar.

Estima-se que existam cerca de 1 milhão de asteroides com potencial para impactar a Terra e, mesmo com todo nossos esforços nas últimas décadas, só descobrimos pouco mais de 1% deles. Isso pode ser percebido claramente quando observamos o mapa que mostra os impactos de pequenos asteroides com a atmosfera terrestre detectados pela rede mundial de sensores de infrassom. De todos os 840 bólidos detectados desde 1988, apenas 4 deles foram de asteroides detectados ainda no espaço.

Impactos de pequenos asteroides com a atmosfera terrestre detectados pela rede mundial de sensores de infrassom desde 1988 - Fonte: JPL/Nasa
Impactos de pequenos asteroides com a atmosfera terrestre detectados pela rede mundial de sensores de infrassom desde 1988 – Fonte: JPL/Nasa

O que ocorre é que, a cada ano que passa, temos novos observatórios procurando por asteroides e novas tecnologias que aumentam nossa capacidade para detectar objetos cada vez menores. Da mesma forma, redes de monitoramento de meteoros, como a BRAMON, têm crescido a cada ano e, em 2020, uma parceria com o Clima ao Vivo praticamente dobrou a capacidade de detecção de meteoros nos céus do Brasil.

Meteoro iluminando o céu em Patos de Minas, MG – Créditos: Ivan Soares / BRAMON

No ano passado, o principal responsável pelo recorde de asteroides descobertos foi o Catalina Sky Survey, que utiliza 3 grandes telescópios no Arizona e que sozinho, esse programa descobriu 1546 objetos próximos à Terra em 2020.

No site do Programa Catalina, eles lembram que em 2020 precisaram interromper brevemente as atividades nos observatórios devido à pandemia e por um período maior, por conta de incêndios florestais. Ainda assim conseguiram detectar uma quantidade recorde de asteroides graças às mudanças recentes nos softwares e nas estratégias de busca. Tal justificativa se confirma quando observamos que os outros programas de buscas, que não pararam na pandemia nem atualizaram suas tecnologias, não tiveram alterações significativas no número de asteroides descobertos em 2020.

Quantidade de asteroides próximos à Terra descobertos desde 1995 por cada Programa de Busca; Catalina teve grande crescimento enquanto outros programas permaneceram estáveis

Dessa forma, só podemos concluir que estamos sim descobrindo cada vez mais asteroides e vendo mais meteoros, não porque eles estão ficando mais numerosos, mas porque temos cada vez mais olhos enxergando o universo. E acreditem: precisamos enxergar ainda mais.

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