O Google anunciou uma série de medidas de segurança para o Android 11, com a mais notável sendo a remoção da visualização que desenvolvedores têm de quais aplicativos estão instalados no smartphone dos usuários. Segundo a empresa, isso já deveria ter acontecido há meses, mas atrasos causados pela atual pandemia acabaram dificultando sua implementação.

Basicamente, um desenvolvedor do Android consegue ver os apps de um smartphone por meio da função “QUERY_ALL_PACKAGES”, mas em aparelhos com Android 11 (e versões posteriores, quando lançadas), ela não será mais utilizável, salvo por exceções específicas: apps bancários, por exemplo, continuarão contando com esse benefício – ainda que temporariamente –, assim como gerenciadores de arquivo, ferramentas de antivírus e navegadores.

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Imagem do Android 11, no qual o Google implementou mudanças para desenvolvedores
Do Android 11 em diante, desenvolvedores precisarão de permissão especial para “ver” quais apps estão no seu celular. Imagem: Mr.Mikla/Shutterstock

Outros apps podem até requisitar uma avaliação de exceção, mas o Google listou três tópicos dos quais não vai abrir mão nem conceder permissões em nenhum caso. São eles:

  • Apps cuja permissão pedida não é diretamente ligada a sua função principal (se um app de fotografia, por exemplo, pedir pelo uso da função)
  • Quando os dados adquiridos por meio da função tiverem o uso expresso de venda de informações sem o consentimento do usuário
  • Quando a mesma função pode ser executada de uma forma menos invasiva e sem a visibilidade ampliada

Garantindo a privacidade dos usuários

O Google vem promovendo essas atualizações para desenvolvedores por causa de uma crescente preocupação com a privacidade dos usuários. Quando um criador de apps tem a visão trazida pela função “QUERY_ALL_PACKAGES”, ele também vê as informações armazenadas pelos apps em questão (exceto, evidentemente, identificadores diretos e credenciais de acesso), tais como informações de geolocalização e perfis de uso.

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Agora, segundo trecho do comunicado do Google, “no que tange ao inventário de apps instalados no dispositivo do qual se pede pela informação pessoal e sensível do usuário, o uso dessa permissão só é autorizado quando a função ou propósito principal do seu aplicativo requer ampla visibilidade do que há instalado no dispositivo deste usuário”.

O Google afirma que as mudanças valem para o Android 11 em diante, mas não esclarece se ela traz algum efeito retroativo para versões anteriores. O texto dá a entender, porém, que ao menos até o Android 10, a situação permanece como está hoje.

As mudanças previstas pelo Google começarão a afetar desenvolvedores a partir de 5 de maio de 2021.

Fonte: Ajuda do Play Console