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Sem garantia de entrega ou aval das fabricantes, o mercado paralelo de vacinas apresenta ofertas, no mínimo, suspeitas para venda de imunizantes contra a Covid-19. E as propostas chegam, inclusive, por WhatsApp. Foi o que aconteceu com o jornal Estadão, na semana passada. A empresa alemã GB Trading, que vende luvas, máscaras e álcool em gel pela internet, apresentou ao veículo proposta para 20 milhões de frascos da vacina anglo-sueca Vaxzevria, da Oxford-AstraZeneca, no valor de 4 euros a dose (em torno de R$ 26,50). Questionada a respeito da segurança da compra, principalmente pela necessidade de pagamento adiantado de 50%, o representante da GB Trading teria se esquivado e negado se tratar de um golpe.

Com preços e cronogramas de entrega de até 30 dias, condições melhores do que as que o governo federal obteve em grandes negociações, ofertas como essa parecem atrativas, mas representam o retrato da clandestinidade no comércio de vacinas.

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De acordo com o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), as fabricantes já autorizadas no Brasil afirmam que só vendem ao Ministério da Saúde e a iniciativas como a Covax Facility, consórcio liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), “seguindo critérios internacionais e de interesse coletivo”. “As empresas AstraZeneca, Butantan, Janssen e Pfizer estão negociando, fornecendo e distribuindo suas vacinas contra a Covid-19 exclusivamente para governos federais e organismos públicos internacionais da área da Saúde. Desta forma, neste momento, nenhuma empresa ou pessoa física está autorizada a negociar em nome dessas empresas fabricantes de vacinas contra a Covid-19 com nenhum ente público ou privado, seja direta ou indiretamente”, diz o comunicado oficial do sindicato.

Nelson Mussolini, presidente executivo do órgão, garante que “empresas sérias só vão fornecer para os governos, até pela razão de os governos estarem assumindo o eventual efeito adverso”.

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Apesar das manifestações das fabricantes, empresários de micro a grande porte, além de prefeitos e governadores, buscam imunizantes por meio de intercessores. Entretanto, vendedores do mercado oficial afirmam que ninguém conseguiu importar as doses até agora. Em tentativa clandestina de furar a fila da vacina, empresários de Minas Gerais receberam soro em vez da vacina da Pfizer, segundo a Polícia Federal.

Governo federal incentiva a compra por empresas privadas

No início do ano, empresários brasileiros negociavam a compra de 33 milhões de vacinas da Oxford-AstraZeneca, por US$ 23,80 cada (em torno de R$ 134,10 a dose). O governo federal deu apoio à compra, exigindo, em contrapartida, a doação de parte do lote ao SUS. O negócio não deu certo, apesar da mobilização. Tanto a fabricante quanto o fundo de investimento Blackrock, apontado pelos empresários como um interlocutor, desmentiram que as doses e a negociação existissem.

Celular com logo do WhatsApp
WhatsApp Créditos: Shutterstock

O forte lobby para flexibilizar a compra de vacinas pela iniciativa privada dá fôlego para o mercado paralelo ao das fabricantes. O tema voltou ao foco em encontro do presidente Jair Bolsonaro com empresários, no dia último dia 7. A Justiça tem dado aval para que as compras sejam feitas sem necessidade de doar todo o volume ao SUS enquanto grupos prioritários são imunizados, como manda a legislação.

A Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC) tem acordo para a compra de 5 milhões de doses da Covaxin, vacina desenvolvida pela indiana Bharat Biotech, por meio da representante oficial do laboratório no Brasil, a Precisa Medicamentos. A previsão é de que as doses custem aos associados de US$ 32,71 (R$ 184,66) a US$ 40,78 (R$ 230,22), mas a entidade afirma que a legislação atual dificulta as negociações das clínicas, por exigir doação de até todo o volume ao SUS. Além disso, o uso da Covaxin ainda precisa ser aprovado pela Anvisa.

Fontes: Estadão / Sindusfarma

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