De acordo com um relatório publicado pelo The New York Times na terça-feira (15), a Amazon vem sofrendo com uma alta rotatividade de funcionários na empresa. O fenômeno ocorre devido à demanda de serviços no início da pandemia da Covid-19 que ganhou impulso e, consequentemente, resultou em uma série de contratações que a companhia realizou em 2020 para suprir as produções.

Segundo o extenso documento, que conta a história de diversos funcionários e ex-funcionários, entre julho e outubro do ano passado, a Amazon contratou mais de 350 mil colaboradores para atuar em diversos setores, em especial nos centros de distribuição. Dentre eles, uma grande parte permaneceu na empresa por “apenas alguns dias ou semanas”.

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Os trabalhadores, que exerceram sua função por hora, tiveram uma taxa de rotatividade de 150%, segundo análise do NYT. Os dados impressionam e preocupam executivos da empresa, que temem não ter mais funcionários disponíveis no mercado para eles, principalmente porque, após os desligamentos da empresa, geralmente os trabalhadores conseguem vaga na concorrência.

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Para driblar a falta de mão de obra, a Amazon anunciou em maio deste ano que ofereceria como benefício a novos funcionários um bônus de US$ 1 mil em assinaturas. Ação também exercida pelo McDonald’s, que ofereceu iPhones grátis para recém-contratados.

Segundo o presidente da Corporação de Desenvolvimento Econômico da Cidade de Nova York (NYC Economic Development Corporation), Danny Meyer, “todos estão contratando ao mesmo tempo”, disse ele ao Business Insider, e esse seria um dos motivos para a alta rotatividade, já que todas as empresas – ao mesmo tempo – desejam se recuperar da crise econômica que a pandemia trouxe e precisam de mão de obra para isso.

Além disso, de acordo com análise reportada por Áine Cain, do Business Insider, longas horas de trabalho, clientes indisciplinados e baixos salários foram motivos para potencializar o desejo de trabalhadores com salários-mínimos deixarem seus empregos, tudo isso somado à situação mundial da Covid-19, que trouxe preocupações com a própria saúde.

A Câmara de Comércio dos EUA afirmou, no entanto, que a escassez de mão de obra é justamente o que está impedindo a recuperação, chamando-a de “emergência econômica nacional.” Para a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), a opção seria forçar algumas empresas a limitar a produção, reduzir o horário de funcionamento e aumentar preços.

Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon. Imagem: Shutterstock/Lev Raidin

Em entrevista ao jornal americano, um ex-gerente da Amazon, que acompanhou os esforços do RH com relação às novas contratações, a situação com a rotatividade de trabalhadores em depósitos da empresa é parecida com o uso de combustíveis fósseis. “Continuamos a usá-los, embora saibamos que estamos cozinhando lentamente a nós mesmos”, afirmou o ex-funcionário.

Em abril deste ano, Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, disse estar orgulhoso da cultura de trabalho da empresa, das metas de produtividade alcançadas e da remuneração oferecida, bem como benefícios. Ainda de acordo com o relatório, a “Amazon reconheceu alguns problemas com demissões inadvertidas, perda de benefícios, avisos de abandono de emprego e licenças, mas se recusou a revelar quantas pessoas foram afetadas.”

Fonte: The New York Times e Insider

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