Pesquisadores da Nasa, a agência espacial norte-americana, acreditam ser possível que sistemas estelares binários atrapalhem a observação de exoplanetas semelhantes à Terra.

De acordo com uma equipe de cientistas do Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) – Satélite para Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito, em tradução livre – a análise de pontos de luz captados pelo satélite indica que algumas das estrelas em potencial na amostra eram na verdade sistemas estelares binários.

publicidade
Visão do Satélite para Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito da Nasa, conhecido como Tess (sigla em inglês) pode ser prejudicada por estrelas binárias que escondem exoplanetas. Imagem: Dotted Yeti – Shutterstock

O estudo, liderado pela doutora em astronomia Katie Lester, pós-doutoranda no Centro de Pesquisa Ames da Nasa, descobriu que os pares estelares podem esconder dos olhos vigilantes de missões como o Tess exoplanetas semelhantes à Terra.

Isso significa que mundos rochosos do tamanho de nossa casa planetária podem não só estar ocultos da vista de todos, mas existir em maior número do que se pensava. 

Brilho de sistemas binários de estrelas pode esconder exoplanetas.
Imagem: NOIRLab / NSF / AURA – via Space Today

Tess: caçador de exoplanetas da Nasa

O Tess caça exoplanetas ao redor de estrelas próximas observando as quedas na luminosidade causadas quando um planeta transita ou passa na frente de uma estrela. 

Segundo a Nasa, desde o lançamento do satélite, em abril de 2018, os astrônomos identificaram positivamente mais de 100 exoplanetas anteriormente desconhecidos e mais de 2,6 mil candidatos que aguardam confirmação.

Mas,a nova pesquisa sugere que pode haver muito mais exoplanetas nas observações da missão que não foram detectados pelos métodos modernos de pesquisa.

“Nós mostramos que é mais difícil encontrar planetas do tamanho da Terra em sistemas binários porque pequenos planetas se perdem no brilho de suas duas estrelas-mãe”, afirmou Lester em um comunicado do Laboratório Nacional de Pesquisa com Infravermelho Óptico em Astronomia (NOIRLab).

A equipe de Lester usou os imageadores Alopeke e Zorro nos telescópios gêmeos do Observatório Gemini do NOIRLab para determinar primeiro quais estrelas eram realmente binárias. 

Então, descobriu-se que 73 das centenas de estrelas em sua amostra eram estrelas que orbitam perto o suficiente umas das outras para aparecer como um único ponto de luz para o Tess. 

Os astrônomos também identificaram 18 estrelas binárias adicionais a partir dos dados do Tess usando o instrumento NN-EXPLORE Exoplanet and Stellar Speckle Imager (NESSI) no telescópio WIYN, de 3,5 metros, da NOIRLab no Observatório Nacional Kitt Peak. 

Leia mais:

Segundo os pesquisadores, em seus sistemas binários recém-determinados, o Tess localizou apenas planetas grandes. No entanto, o satélite encontrou tanto exoplanetas grandes quanto pequenos em torno de estrelas solitárias. 

Assim, a pesquisa confirma o que muitos astrônomos suspeitavam: o brilho de uma segunda estrela compensa a luz que, de outra forma, seria bloqueada por um pequeno planeta parecido com a Terra.

“Os astrônomos precisam saber se uma estrela é única ou binária antes de afirmar que não existem pequenos planetas nesse sistema”, disse Lester. “Se for único, então você poderia dizer que não existem pequenos planetas. Mas, se o hospedeiro estiver em um binário, não tem como afirmar que um pequeno planeta está escondido pela estrela companheira ou não existe. Seriam necessárias mais observações com uma técnica diferente para descobrir isso”.

Fonte: Space.com

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!