Um novo estudo liderado por cientistas do Hospital Universitário Brigham para Mulheres, da Faculdade de Medicina de Harvard, adotou uma nova abordagem para entender como a fé e a espiritualidade atuam no cérebro humano. Através de exames de imagem, os pesquisadores conseguiram descobrir que existe um circuito cerebral específico diretamente ligado à fé.

Este circuito cerebral está localizado em uma área chamada Substância Cinzenta Central (PAG, na sigla em inglês). Essa é uma região do cérebro que tem sido bastante estudada e implicada em várias funções, como o condicionamento do medo, a modulação da dor, comportamentos altruistas e até mesmo o amor incondicional.

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Os resultados deste novo estudo, que foi publicado na revista Biological Psychiatry, sugerem que a fé está enraizada na dinâmica neurobiológica fundamental. Além disso, a religiosidade estaria entrelaçada em nosso tecido neurológico. Esses resultados surpreenderam os pesquisadores, já que o circuito cerebral para a fé está centrado em uma parte bastante “primitiva” do nosso cérebro.

Mapeamento de lesões

A técnica utilizada para realizar o estudo é conhecida como mapeamento de rede de lesões, que permite a investigação de determinados comportamentos humanos complexos com base na localização de lesões cerebrais dos pacientes. Os pesquisadores também usaram um conjunto de dados de 88 pacientes submetidos à remoção de tumores em diferentes partes do cérebro.

Os pacientes responderam a um questionário que incluía perguntas referentes à aceitação espiritual antes e depois da cirurgia. Então, a equipe validou seus resultados usando um segundo conjunto de dados, este, composto por mais de 100 pacientes que tiveram lesões cerebrais em combate durante a Guerra do Vietnã. Esses participantes responderam a perguntas parecidas.

Imagem 3D de um cérebro humano
Cientistas descobriram que o cérebro possui nódulos positivos e negativos ligados à espiritualidade. Créditos: Arquivo/Shutterstock

Com esses dados em mãos, os pesquisadores aplicaram o mapeamento da rede de lesões, e descobriram que havia um circuito cerebral específico centrado no PAG, que incluía nódulos positivos e negativos. A depender do local das lesões cerebrais, esses nódulos foram afetados, diminuindo ou aumentando a fé dos pacientes.

Mais e menos fé

A depender do local de uma lesão ou atingido por uma doença, a fé de uma pessoas pode aumentar ou diminuir. Imagem: Life science – Shutterstock

As localizações de lesões associadas a outros sintomas neurológicos e psiquiátricos também se cruzaram com o circuito cerebral para a fé. Mais especificamente, os que estão ligados a doenças como Parkinson, cruzam com áreas positivas do circuito, assim como lesões que são relacionadas à diminuição da espiritualidade.

Já lesões que causam delírios, como a síndrome do membro alienígena, que gera uma forte sensação de descontrole sobre seus membros, cruzam com regiões negativas, que são associadas ao aumento da espiritualidade e da religiosidade.

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Os pesquisadores ponderam, porém, que, apesar de esses dados serem bastante úteis para a compreensão do cérebro humano e das origens da fé e da espiritualidade, eles não devem ser interpretados de maneira exagerada ou como um dogma. Ou seja, não é porque alguém desenvolveu Parkinson, que essa pessoa automaticamente perderá sua fé.

Com informações do Medical Xpress

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