Recentemente a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, aprovou uma nova droga para o tratamento de Alzheimer. Trata-se da primeira novidade farmacológica para a doença em 18 anos de hiato. No entanto, o Aduhelm, da farmacêutica Biogen, tem gerado grandes controvérsias entre a comunidade médica e dividido opiniões.

A lista de polêmicas envolvendo o Aduhelm é farta. Primeiro, a própria Biogen paralisou os testes clínicos do medicamento e afirmou que ainda não havia evidências suficientes para certificar que ele trazia benefícios significativos para as pessoas com o mal de Alzheimer.

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Mesmo com testes inconsistentes, a FDA aprovou a nova droga e concedeu um prazo desproporcional para a conclusão dos experimentos (até 2030). A decisão desagradou especialistas internos e externos à agência reguladora e chamou a atenção de alguns de seus diretores, que suspeitaram de corrupção no processo de autorização do remédio.

De acordo com a Medical Xpress, muitos médicos também acreditam que a FDA “moveu balizas” para legitimar o controverso Aduhelm. O Dr. Ken Lin, médico do MedStar Georgetown, Hospital Universitário de Washington, é um desses especialistas que não pretendem recomendar o uso do medicamento para seus pacientes.

“Acho que muitos médicos de atenção primária vão relutar em prescrever ou encaminhar pacientes para que recebam essa prescrição, porque não acreditamos que a qualidade dos dados ainda esteja lá”, disse o Dr. Lin.

Da mesma maneira, a Cleveland Clinic (Ohio) e o Mount Sinai (Nova York) anunciaram neste mês que não administrarão a nova droga em seus pacientes. Outros grandes centros médicos dos Estados Unidos estão afirmam estar analisando o uso do medicamento com cautela.

Polêmico Aduhelm divide opinião da comunidade médica. Uns não recomendam seu uso devido a falta de comprovação clínica sobre seus benefícios, outros acreditam que o medicamento é um ponto de partida importante para as pesquisas envolvendo o tratamento do Alzheimer. Créditos: Shutterstock

Em contrapartida, existem profissionais confiantes nos novos testes clínicos do Aduhelm. O Dr. Anton Porsteinsson, diretor do Programa de Pesquisa e Educação em Cuidados com a Doença de Alzheimer, da Faculdade de Medicina de Rochester (Nova York), acredita que a ação da FDA foi necessária para alimentar as pesquisas sobre o tratamento da doença neurodegenerativa, que estavam estagnadas há alguns anos.

“Este não é um medicamento para todos, mas temos que começar de algum lugar e avançar no campo”, reiterou o Dr. Porsteinsson, que também é consultor da Biogen.

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As incertezas sobre a eficácia do novo medicamento para a melhora do quadro de pessoas com Alzheimer é o principal ponto de discórdia entre os médicos. Contudo, o preço elevado do remédio também desempenha um papel determinante no debate: a Biogen definiu o preço de lista do Aduhelm em US$ 56 mil (R$ 283 mil, na conversão atual) por ano.

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