Medicina e Saúde

Cérebro de macacos pode explicar doenças neurodegenerativas humanas

29/07/21 21h28, atualizada em 02/08/21 16h49

Nas profundezas do cérebro existe uma região chamada hipocampo. Essa estrutura complexa desempenha um papel crucial na aprendizagem e na memória e a sua deterioração progressiva, com o envelhecimento, está associada a uma série de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. À vista disso, um estudo chinês se propôs a observar o hipocampo de primatas no intuito de desvendar a relação entre a idade avançada e as doenças que prejudicam a atividade cerebral.

Segundo a Medical Xpress, o experimento proposto pelos cientistas do Instituto de Zoologia da Academia Chinesa de Ciências e do Hospital Xuanwu da Capital Medical University, analisou os tecidos cerebrais de alguns primatas não humanos (NHPs), o modelo considerado ideal para estudar a identificação de doenças humanas.

O estudo, concluído este ano, recebe o nome de “Análise transcriptômica de núcleo único do envelhecimento do hipocampo de primatas” e foi publicado na revista mensal de acesso aberto Protein Cell, que abrange a biologia das proteínas e das células.

Estudo identificou os tipos de células e moléculas que são mais suscetíveis ao processo de envelhecimento do hipocampo, região do cérebro ligada a memória. Os resultados podem ampliar o tratamento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

No decorrer da pesquisa, os cientistas estabeleceram o primeira transcriptoma de núcleo único – um perfil sistemático que reflete a expressão dos genes – do envelhecimento do hipocampo de alguns macacos. Esse relatório forneceu extensos recursos para a ilustração de assinaturas moleculares relacionadas à idade no nível de uma única célula.

O hipocampo do primata idoso investigado pelos cientistas demonstrou uma série de danos associados ao processo de envelhecimento, incluindo instabilidade genômica e epigenômica (que não faz parte da sequência do DNA), perda de proteostase (proteínas), bem como aumento de inflamação sistemática.

A análise aprofundada desses dispositivos da expressão gênica dinâmica revelou algumas disfunções, como divisão celular prejudicada e função neuronal comprometida. Com isso, o processo pelo qual novos neurônios são gerados no hipocampo dos adultos acabou se desordenando. É por isso que a atividade cerebral se enfraquece.

Em resumo, os resultados revelam que o mecanismo molecular se deteriora com a idade.

As evidências fornecem um recurso valioso para a identificação de novos biomarcadores de diagnóstico e potenciais alvos para intervenções contra o desgaste do hipocampo. Tais informações são importantes para ampliar o tratamento de doenças associadas ao envelhecimento que acometem o cérebro, como o Alzheimer.

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