A ciência afirma que pés fortes são a chave para uma vida com menos dores e lesões. Recentemente, pesquisadores da USP ampliaram essa constatação e revelaram que hábitos da vida urbana – como o uso contínuo de sapatos, a correria do dia-a-dia e a falta de exercícios regulares – prejudicam a saúde dos pés. Para evitar problemas futuros, os especialistas recomendam andar descalço (sempre que possível) e praticar treinamentos específicos para fortalecer a musculatura dos membros inferiores. Pensando nisso, eles desenvolveram um programa online de exercícios, público e gratuito, para auxiliar as pessoas a buscarem melhor qualidade de vida.

De acordo com o jornal o Globo, os pés são os principais amortecedores do corpo. Para sustentar toda a carga da estrutura física, parada ou em movimento, eles possuem uma estrutura complexa: com 118 ligamentos, 33 articulações, 26 ossos, 21 músculos intrínsecos (no dorso e na planta) e 11 músculos extrínsecos (localizados na parte de trás).

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A título de comparação, quadril, coxa e perna somados têm 5 ossos, 4 articulações, 47 músculos e 50 ligamentos aproximadamente. Mesmo assim, os pés são relegados a segundo plano pela maioria das pessoas, que dificilmente pensam em exercitá-los especificamente. Desse modo, cientistas alertam que, com o passar dos anos, os músculos dão lugar à gordura, por mais magro que pareça o pé, e isso pode reduzir consideravelmente a qualidade de vida.

Pesquisadores da USP indicam que andar descalço e praticar exercícios específicos para fortalecer a musculatura dos pés traz inúmeros benefícios para o corpo. Créditos: Shutterstock

Um novo estudo, executado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), indica que os hábitos da vida urbana são os maiores vilões para a saúde dos pés. Isso porque, na correria do dia-a-dia, as pessoas passam muito tempo com calçados apertados, o que prejudica a liberdade de movimento dos membros e os enfraquecem.

“Calçados apresentam estruturas rígidas e amortecedoras que, com o uso constante, atrofiam os pés. Na verdade, eles são melhores amortecedores do que qualquer tênis que prometa maravilhas da tecnologia, mas que não passa de marketing”, explica Isabel Secco, professora e coordenadora do Laboratório de Biomecânica do Movimento e Postura Humana, da Faculdade de Medicina da USP (Labimph/FMUSP).

Nesse sentido, ela recomenda que as pessoas procurem andar descalças o maior tempo possível, bem como optem por usar sapatos minimalistas – que agregam praticidade e conforto – como as sapatilhas e tênis de solados flexíveis.

Além disso, Secco revela que outro grande problema para os pés está em não exercitar especificamente essa área do corpo – ou sequer praticam exercícios. Segundo ela, o treinamento para fortalecer os membros inferiores é determinante para evitar lesão em corredores ou queda em idosos, por exemplo. Mesmo para quem não corre ou ainda é jovem, existem inúmeros ganhos dos exercícios terapêuticos para a diminuição de dores, ainda mais para os sedentários.

“As pessoas pensam que cuidam dos pés, mas, geralmente, apenas tratam bolhas e mantêm cuidados estéticos. É preciso bem mais do que isso”, completa a professora.

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Programa de fortalecimento para os pés

Colocar os pés “em forma” é muito mais fácil do que parece, dizem os pesquisadores da USP. O programa de treinamento direcionado desenvolvido pela equipe – que é gratuito e está disponível para Android ou no site – recomenda três sessões por semana, de 20 minutos cada, com exercícios simples e que não requerem equipamentos especiais.

Os cientistas acompanharam pessoas propensas a desencadear disfunção nos pés, como atletas e idosos, para verificar o impacto da rotina de exercícios específicos. Através de imagens de ressonância magnética, o treinamento se mostrou eficaz na diminuição das lesões em ambas as situações, além de indicar um significativo aumento de volume na musculatura. A metodologia já foi adotada em Alemanha, Holanda e Polônia para tratar pés de diabéticos, altamente suscetíveis a lesões.

O estudo indicou ainda que os corredores não só sofreram menos lesões após algum tempo de treinamento para os pés como também ganharam mais impulsão vertical. Ao melhorar a função dos membros, o treino também impactou positivamente a biomecânica da corrida.

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