Um estudo realizado pela Universidade de Bristol descobriu que adolescentes que usam frequentemente cannabis (substância da maconha) têm maior probabilidade de terem bebês prematuros até 20 anos depois da fase – quando já seriam adultos. O documento é o primeiro a apontar que o uso das substâncias pode acarretar riscos intergeracionais.

“A cannabis é a droga ilícita mais comumente usada entre adolescentes. Já há evidências de que o uso frequente de cannabis entre adolescentes aumenta os riscos para problemas de saúde mental, mas nossos resultados indicam que pode haver outros efeitos que os indivíduos podem não prever”, disse o pesquisador da Bristol Medical School, Dr. Lindsey Hines.

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Publicado no Scientific Reports, a pesquisa também considerou o uso do tabaco – que já se sabe ter relação com a prematuridade – e avaliou 665 participantes entre 14 e 29 anos. O estudo os acompanhou durante a adolescência e também após terem filhos – que também foram recrutados para o estudo.

De acordo com os resultados, o uso rotineiro da maconha quando mais novos (15 e 17 anos) – paterno ou materno, antes de uma gravidez – interfere diretamente na futura gestação, sendo considerado um tipo de “continuação” do vício e com um aumento de seis vezes mais de terem filhos prematuros, se comparados com bebês nascidos de pais que não usaram cannabis na adolescência. 20% dos partos prematuros que ocorreram entre as participantes do estudo vieram de pais que faziam o uso da droga quando mais novos.

Uso frequente de maconha por adolescentes pode resultar em filhos prematuros no futuro. Imagem: Pushba/iStock

Além disso, o uso das drogas (incluindo tabaco) durante a gravidez também foi considerado e está relacionado não apenas com o nascimento de bebês prematuros, mas com o baixo peso ao nascer e com maiores riscos de problemas de saúde para as crianças.

“À medida que as regulamentações em torno do uso legal se liberalizam, existe a possibilidade de que o uso por adolescentes possa aumentar em alguns países. Essas descobertas fornecem motivação adicional para garantir que as mudanças nas políticas não levem a um maior uso pelos adolescentes”, ressaltou o Dr. Hines.

Para o professor docente em pesquisa de saúde do adolescente da University of Melbourne e do Murdoch Children’s Research Institute, George Patton, “quanto mais estudamos o uso pesado de cannabis na adolescência, mais problemático ele parece. Dados os crescentes motivadores políticos e industriais para a legalização do uso, há uma necessidade premente de pesquisas maiores e melhores para compreender os danos decorrentes do uso intenso por adolescentes.”

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Segundo o Medical Xpress, a equipe esclareceu ainda que o estudo foi realizado considerando mães e pais e, levando em consideração que o uso entre os meninos é maior, a pesquisa ressalta a importância do levantamento também para os homens. No entanto, pesquisas mais abrangentes para comparar os resultados e compreender os mecanismos biológicos de ambos (homem e mulher) serão necessárias.

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