Cientistas da Faculdade de Artes e Ciências de Franklin, nos EUA, criaram um novo método para determinar a idade do asteroide Vesta, um dos objetos de maior interesse para estudo por parte da comunidade astronômica.

O Vesta traz consigo uma importância considerável na nossa busca pelo conhecimento do espaço: com um diâmetro de pouco mais de 530 km, ele tem um corpo com três camadas principais – crosta, manto e núcleo – sendo bastante similar à Terra (assim como o Vesta, nós também temos um núcleo baseado em ferro). Por isso, ele é considerado o que se convém chamar de “corpo planetesimal”, ou seja, um objeto que estava presente na formação planetária dos sistemas estelares.

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Cientistas estão tentando calcular a idade do asteroide Vesta, mostrado nesta imagem fornecida pela Nasa
O asteroide Vesta tem formação bastante similar à da Terra, dando indícios de que ele estava presente na formação planetária do nosso sistema solar. Imagem: Nasa/Divulgação

“Ao contrário de outros asteroides, o Vesta estava perto de se tornar um planeta parecido com a Terra, mas a sua formação parou no caminho, bem cedo na história do nosso sistema solar”, disse Christian Klimczak, professor associado do departamento de geologia da Franlin. “Por isso, estudá-lo nos ajuda a entender os primeiros dias da nossa vizinhança planetária, e também como a nossa própria casa se formou”.

O novo método tem uma mecânica bastante simples: a grosso modo, ele consiste apenas de contar o número de crateras visíveis em um asteroide, usando esse número para “adivinhar” uma idade próxima do real.

“Contar o número de crateras de vários tamanhos em uma determinada área nos permite determinar por quanto tempo elas se acumularam e, consequentemente, quanto tempo faz desde que aquela superfície se formou”, disse Jupiter Cheng, que assina a co-autoria do estudo. “Nossos resultados mostram que as bacias e depressões trazem um número similar de crateras de vários tamanhos, um indício de que elas têm uma idade próxima. Entretanto, há que se conceber que as incertezas associadas a esse tipo de contagem abrem espaço para possibilidades como, por exemplo, as bacias terem se formado muito tempo depois dos impactos”.

Cheng explica que, há muitos anos, o Vesta foi atingido por dois meteoros, despedaçando-se em partes e lançando destroços ao longo do nosso sistema solar. Alguns desses destroços tocaram o solo da Terra na forma de meteoritos, o que deu aos cientistas amostras consistentes de pedras do início dos tempos para estudar.

Cheng, porém, tem teorias de como essas bacias de formaram: “a hipótese mais firme sugere que elas são vales unidos por uma falha geológica, com uma escarpa [“ladeira”] de cada lado que, quando posicionadas juntas, marcam o deslizamento de um bloco rochoso”, ela disse. “Porém, as rochas também podem se quebrar sozinhas e formar essas bacias, um tipo de origem que ainda não havia sido considerado”.

Esta segunda parte é a que Cheng em trabalhando: segundo ela, a gravidade do asteroide Vesta é baixa demais para garantir a criação de falhas geológicas de grande porte, então a quebra espontânea de rochas faz mais sentido. Tal hipótese desafia o consenso atual:

“A formação dessas bacias devem envolver a abertura rochosa, o que não bate com a hipótese majoritária da comunidade científica”, disse Cheng. “Juntando tudo isso, o projeto oferece alternativas ao que foi originalmente proposto para a origem e geologia do Vesta – resultados estes que são também importantes para entendermos formas de terra em outros corpos planetários do sistema solar”.

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