Um estudo brasileiro de mapeamento cerebral ganhou uma bolsa financiada pela Iniciativa Chan Zuckerberg, organização criada por Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook; e sua esposa Priscilla Chan. Dentre os 17 projetos selecionados pela iniciativa, apenas este, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia (BRAINN), vem da América Latina.

Os pesquisadores  Diogo Troggian Veiga, Fernando Cendes e Iscia Lopes Cendes (Universidade de Campinas/UNICAMP) e Claudia Kleinman, da Universidade McGill (Canadá) coordenam o projeto, que pode ser resumido em criar um “atlas celular” do cérebro infantil por meio da análise genética de células de tecidos saudáveis de cinco regiões diferentes do órgão, de acordo com comunicado divulgado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a quem o BRAINN é filiado.

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Imagem de um cérebro sendo tocado por uma mão humana. Projeto brasileiro de mapeamento cerebral será financiado pela Chan Zuckerberg Initiative, do cofundador do Facebook
O projeto de mapeamento cerebral conduzido pelo BRAINN é parte importante em um estudo de mapeamento do corpo humano, . Imagem: PopTika/Shutterstock

“Uma coisa que sabemos com certeza é que doenças – incluindo as mais raras – não surgem aleatoriamente ao longo da vida”, diz comunicado emitido pela Iniciativa Chan Zuckerberg. “A maior parte delas começa na infância ou na velhice, o que revela a importância de compreendermos não apenas o estado normal da saúde adulta, como também a maneira como a saúde se desenvolve antes e após o nascimento, e como ela é mantida ou se degenera conforme envelhecemos”.

“É por este motivo que lançamos a iniciativa de financiamento de pesquisas que ajudarão pesquisadores e pediatras a mapear células saudáveis em tecidos pediátricos e, assim, auxiliar na compreensão, na prevenção e no tratamento de doenças”, continua o comunicado.

Segundo o resumo do estudo, no site do BRAINN: “uma parte importante é que as informações de conformação da cromatina e o transcriptoma serão obtidos com uma resolução de uma célula [single cell], utilizando tecnologias revolucionárias e modernas para tal investigação”.

De forma resumida, as pesquisas single cell utilizam tecnologia capaz de extrair informações genéticas extremamente detalhadas de uma única célula, diferente de outros métodos de avaliação, que preferem tirar uma média de informações com base em um aglomerado celular.

As tecnologias single-cell têm um potencial incrível de acelerar a obtenção de conhecimento científico ao permitir que pesquisadores entendam como as células e os órgãos se desenvolvem e se relacionam às doenças pediátricas”, disse em comunicado à imprensa o responsável pelo Programa de Ciências para Biologia  de Célula Única da Chan Zuckerberg Initiative, Jonah Cool.

O projeto brasileiro é parte de um objetivo muito maior – o Human Cell Atlas, um consórcio com vários países envolvidos e cujos resultados das pesquisas estarão publicados para livre acesso no site oficial da plataforma.

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