Em 1895, o cientista russo Elie Metchnikoff ficou fascinado ao observar a influência de bactérias intestinais na saúde e longevidade. Ele sugeriu, em seus estudos, que as pessoas de partes da Europa Oriental viviam mais porque comiam muitos alimentos fermentados, contendo lactobacilos vivos. Essa teoria foi ignorada na época e somente muitos anos depois é que os cientistas reconheceram a importância da microbiota na regulação de doenças. Agora, em um estudo utilizando camundongos, pesquisadores irlandeses verificaram que muitos dos efeitos do envelhecimento podem ser revertidos por meio desses microrganismos.

Entende-se por microbiota a população de microrganismos – bactérias, vírus e fungos – que habitam o trato gastrointestinal. Esses seres microscópios têm por função manter a integridade da mucosa na região, aumentar a imunidade, entre outros benefícios que dificultam a reprodução de agentes causadores de doenças. Devido aos efeitos positivos que trazem quando estão em equilíbrio, eles também podem ser chamados de probióticos.

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Além de regular a flora, as bactérias presentes no intestino são determinantes para inúmeras funções do corpo, como a prevenção de doenças. Agora, também se sabe que elas podem, inclusive, reverter os sintomas do envelhecimento. Créditos: Kateryna Kon/Shutterstock

De acordo com pesquisadores da University College Cork, na Irlanda, o processo de envelhecimento dos mamíferos acarreta diversas alterações na microbiota, o que está relacionado a problemas de saúde e fragilidade nas populações idosas. No entanto, até o momento, não havia grandes evidências do papel dos probióticos (ou de sua ausência) para a saúde do cérebro durante os processos de envelhecimento. A suposição, portanto, transformou-se em um objeto de pesquisa.

Para verificar as hipóteses, conforme relata o Science Alert, os cientistas irlandeses retiraram bactérias do intestino de camundongos jovens e implementaram em camundongos idosos a fim de observar as alterações neurológicas dos mesmos. Usando um labirinto, eles demonstraram que o transplante de bactérias fecais facilitou que os camundongos mais velhos encontrassem uma plataforma oculta com mais rapidez.

Em uma análise mais sistemática, os pesquisadores verificaram que os produtos químicos em uma região do cérebro envolvida no aprendizado e na memória (o hipocampo) eram mais parecidos com os de camundongos jovens após o transplante de microbiota. Isso porque as bactérias fecais provavelmente agiram nas micróglias, células neurais que influenciam na evolução de doenças degenerativas. Eles concluíram, então, que através da ação de lactobacilos vivos, muitos dos efeitos do envelhecimento sobre o aprendizado, memória e deficiências imunológicas podem ser revertidos.

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À vista disso, os princípios gerais de Metchnikoff, descritos há mais de 100 anos, parecem estar corretos: proteger os micróbios intestinais pode ser o segredo para uma vida longa e saudável.

Os resultados ainda merecem estudos mais aprofundados para afirmar se os benefícios em camundongos controlados são também verificáveis em humanos. No entanto, já revelam que as bactérias do intestino pode ser um alvo terapêutico para promover o envelhecimento saudável, bem como para combater doenças que afetam o cérebro.

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