Duas indústrias peso-pesado do Brasil se uniram com uma missão. A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) e a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) fizeram um acordo para desenvolverem e produzirem baterias elétricas para veículos elétricos de grande porte fazendo uso do metal nióbio.

Segundo afirmaram em comunicado, um centro de pesquisas em Resende (RJ) irá desenvolver baterias com uma tecnologia inédita no mundo automotivo, usando o material do qual o Brasil tem quase monopólio mundial.

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Fábrica da Volkswagen onde serão feitas baterias de Nióbio
Fábrica da VWCO (Divulgação)

Roberto Cortes, presidente e CEO da VWCO, diz que o objetivo “é criar uma solução de recarga ultrarrápida, pioneira na América Latina”.

Ricardo Lima, vice-presidente da CBMM, afirma que a bateria de nióbio está sendo desenvolvida já há três anos numa parceria com a japonesa Toshiba. E detalha: “Pela primeira vez estamos implementando esta solução que, devido ao uso do óxido de Nióbio no ânodo da bateria, permitirá uma operação de carregamento ultrarrápido, em menos de 10 minutos, maior durabilidade, vida útil e segurança”.

O projeto deve funcionar com a VWCO desenvolvendo veículos e estações de carregamento, enquanto a CBMM cuidará de testar e melhorar a performance da bateria.

É um acordo com substância. A VWCO, situada em Resende, é uma fábrica pertencente ao grupo Volkswagen, mas que também produz os caminhões da alemã MAN no Brasil. Já a CBMM é a maior empresa no ramo do nióbio do mundo.

Por que bateria de nióbio?

Nióbio é como jabuticaba: praticamente só tem no Brasil. O país tem 98% das reservas mundiais e a CBMM atende, sozinha, a 80% da demanda mundial.

O metal é usado principalmente em ligas especiais, misturado a outros metais, como aço, titânio ou cobre. Essas são empregadas em múltiplas funções, quase todas ligadas à alta tecnologia: turbinas de avião, carros, supercondutores, aparelhos de ressonância magnética etc. A bateria de nióbio é um uso inovador.

Faz sentido para a CBMM criar novos usos ao metal. Porque, de certa forma, o nióbio sofre por excesso de eficiência. A demanda é relativamente pequena: o aço reforçado com nióbio tipicamente usa só 0,1% de nióbio. Só um único depósito explorado pela CBMM daria para suprir o mundo por 200 anos.

O nióbio, assim, é ao mesmo tempo estratégico e pouco valorizado. É um metal em busca de mais usos. E a bateria de nióbio, se for tão poderosa quanto promete, pode se mostrar uma via para as duas empresas e para o Brasil.

Imagem: tunasalmon/Shutterstock

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