Uma pintura escondida, feita por Pablo Picasso (1881-1973), foi recentemente descoberta graças ao uso da inteligência artificial (IA), técnicas de processamento de imagem e impressão 3D. A empresa Oxia Palus, especializada no resgate de obras de artes perdidas, é quem fez a descoberta.

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A obra estava escondida por baixo de outra produção do icônico pintor – “A Refeição do Cego” – pintada por ele em 1903. O “novo” desenho foi apelidado “O Nu Solitário Agachado”, porque aparentemente a Oxia não tem a criatividade de Picasso para criar títulos.

A pintura escondida de Picasso havia sido parcialmente descoberta por meio de análises de imagem em raio-x (XRF, ou “fluorescência em raio-x”, para os mais técnicos). Mas foi necessário uma análise mais densa para revelar todo o contorno da obra, seguido do treinamento de uma IA para completar o desenho conforme o estilo artístico do pintor. Depois disso, o sistema gerou um mapa em alto relevo, a fim de criar uma textura para a obra, que foi finalmente levada à uma impressora 3D.

Segundo Anthony Bourached, co-fundador da Oxia, a arte é uma forma de armazenar informações complexas, e a tecnologia atual nos permite analisar essas informações. “Hoje, nós temos sistemas robustos para nos ajudar a entender melhor a nossa história e a nossa cultura”, disse à CNN.

A revelação de pinturas escondidas não é algo exatamente novo – nem mesmo a técnica de mapeamento de contornos por raios-x: “Velho em Vestimentas Militares”, de Rembrandt (1606-1669) esconde a imagem de um menino sob a obra original, ao passo que “O Grito”, de Edvard Munch (1863-1944) tem uma mensagem secreta do autor.

Entretanto, a pintura escondida de Picasso fez uso da IA para conferir um nível mais aprofundado de detalhes, permitindo não só uma descoberta mais aprimorada, como a impressão da obra como se ela tivesse sua própria tela.

Segundo George Cann, o outro co-fundador da Oxia e estudante de Ph.D em machine learning pela Universidade de Londres (UCL), “O Nu Solitário Agachado” teria sido pintado em um período onde Pablo Picasso lutava contra a pobreza, no início de sua carreira: “na época, Picasso não tinha dinheiro e os materiais artísticos eram caros, então é provável que ele tenha usado a mesma tela para pintar ‘A Refeição do Cego’ com certa relutância”, ele disse.

Outro detalhe interessante é que a mesma mulher figura a pintura “A Vida”, o que sugere que o artista tinha uma certa afinidade com a pessoa, cujo nome não nos é conhecido – há quem afirme tratar-se de Germaine Pichot, que teria sido amante de Picasso, mas seu nome aparece mais como a ex-mulher de seu amigo Carles Casagemas, que cometeu suicídio em 1901 e inspirou o chamado “período azul” do artista espanhol.

“Eu imagino que Picasso se sentiria feliz em ver que este tesouro que ele escondeu para as gerações futuras foi finalmente revelado, 48 anos após a sua morte e 118 anos após a criação desta obra”, disse Cann.

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