Pintura escondida de Pablo Picasso é descoberta por meio de IA

Intitulada “Nu Solitário Agachado”, pintura estava escondida sob outra obra do pintor, que morreu em abril de 1973
Rafael Arbulu, editado por Rafael Rigues 20/10/2021 20:24, atualizada em 21/10/2021 11:27
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Imagem: Oxia Palus/Divulgação

Uma pintura escondida, feita por Pablo Picasso (1881-1973), foi recentemente descoberta graças ao uso da inteligência artificial (IA), técnicas de processamento de imagem e impressão 3D. A empresa Oxia Palus, especializada no resgate de obras de artes perdidas, é quem fez a descoberta.

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A obra estava escondida por baixo de outra produção do icônico pintor – “A Refeição do Cego” – pintada por ele em 1903. O “novo” desenho foi apelidado “O Nu Solitário Agachado”, porque aparentemente a Oxia não tem a criatividade de Picasso para criar títulos.

A pintura escondida de Picasso havia sido parcialmente descoberta por meio de análises de imagem em raio-x (XRF, ou “fluorescência em raio-x”, para os mais técnicos). Mas foi necessário uma análise mais densa para revelar todo o contorno da obra, seguido do treinamento de uma IA para completar o desenho conforme o estilo artístico do pintor. Depois disso, o sistema gerou um mapa em alto relevo, a fim de criar uma textura para a obra, que foi finalmente levada à uma impressora 3D.

Segundo Anthony Bourached, co-fundador da Oxia, a arte é uma forma de armazenar informações complexas, e a tecnologia atual nos permite analisar essas informações. “Hoje, nós temos sistemas robustos para nos ajudar a entender melhor a nossa história e a nossa cultura”, disse à CNN.

A revelação de pinturas escondidas não é algo exatamente novo – nem mesmo a técnica de mapeamento de contornos por raios-x: “Velho em Vestimentas Militares”, de Rembrandt (1606-1669) esconde a imagem de um menino sob a obra original, ao passo que “O Grito”, de Edvard Munch (1863-1944) tem uma mensagem secreta do autor.

Entretanto, a pintura escondida de Picasso fez uso da IA para conferir um nível mais aprofundado de detalhes, permitindo não só uma descoberta mais aprimorada, como a impressão da obra como se ela tivesse sua própria tela.

Segundo George Cann, o outro co-fundador da Oxia e estudante de Ph.D em machine learning pela Universidade de Londres (UCL), “O Nu Solitário Agachado” teria sido pintado em um período onde Pablo Picasso lutava contra a pobreza, no início de sua carreira: “na época, Picasso não tinha dinheiro e os materiais artísticos eram caros, então é provável que ele tenha usado a mesma tela para pintar ‘A Refeição do Cego’ com certa relutância”, ele disse.

Outro detalhe interessante é que a mesma mulher figura a pintura “A Vida”, o que sugere que o artista tinha uma certa afinidade com a pessoa, cujo nome não nos é conhecido – há quem afirme tratar-se de Germaine Pichot, que teria sido amante de Picasso, mas seu nome aparece mais como a ex-mulher de seu amigo Carles Casagemas, que cometeu suicídio em 1901 e inspirou o chamado “período azul” do artista espanhol.

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“Eu imagino que Picasso se sentiria feliz em ver que este tesouro que ele escondeu para as gerações futuras foi finalmente revelado, 48 anos após a sua morte e 118 anos após a criação desta obra”, disse Cann.

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Rafael Arbulu

Jornalista formado pela Universidade Paulista, Rafael é especializado em tecnologia, cultura pop, além de cobrir a editoria de Ciências e Espaço no Olhar Digital. Em experiências passadas, começou como repórter e editor de games em diversas publicações do meio, e também já cobriu agenda de cidades, cotidiano e esportes.

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Rafael Rigues

Rafael Rigues é redator(a) no Olhar Digital

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