O Éon Arqueano é um período antes do surgimento da vida complexa, que depende de oxigênio surgir na Terra. Nesse tempo, entre 2,5 e 4 bilhões de anos atrás, planeta era inclementemente bombardeado do espaço por asteroides ou cometas com mais de 9 km de largura. Eles não só faziam crateras imensas, mas alteraram a química da atmosfera primitiva do planeta.

Tudo isso é conhecido pelos geólogos. O que não estava tão claro é a frequência com que esses grandes asteroides se chocavam, e como exatamente isso afetou a atmosfera. Em particular, os níveis de oxigênio.

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10 vezes mais bombas

A reposta pode ter sido dada pela equipe de Nadja Drabon, professora assistente de ciências terrestres e planetárias de Harvard. Eles analisaram vestígios de asteroides antigos e modelaram os efeitos de suas colisões para mostrar que os “ataques” ocorreram com mais frequência do que se pensava. E, por serem tão frequentes, atrasaram quando o oxigênio começou a se acumular no planeta. E, daí, o surgimento da vida.

“O oxigênio livre na atmosfera é crítico para qualquer ser vivo que usa a respiração para produzir energia”, disse Drabon. “Sem o acúmulo de oxigênio na atmosfera provavelmente não existiríamos.”

O trabalho é descrito na Nature Geoscience e foi liderado por Simone Marchi, uma cientista do Southwest Research Institute em Boulder, Colorado (EUA). Os pesquisadores descobriram que os modelos existentes de bombardeio planetário subestimam a frequência das colisões. Pelo novo cálculo, grandes impactos atingiam o planeta a cada 15 milhões de anos, cerca de 10 vezes mais do se prevê pelos modelos atuais.

Chuva de pedras causadas por asteroides

Os cientistas perceberam isso depois de analisar esférulas de impacto, objetos que se formaram cada vez que grandes asteroides ou cometas atingiam o planeta. Em grandes impactos, o material das rochas se derrete ou vaporiza, e forma uma nuvem. Ao “chover”, essas gotas se solidificam, formando pequenas partículas do tamanho de grãos de areia, que eventualmente são cobertas pelo solo.

Esses marcadores antigos são difíceis de encontrar. “Você basicamente faz longas caminhadas e olha para todas as rochas que pode encontrar porque as partículas de impacto são muito pequenas”, disse Drabon. “Elas são facilmente perdidas. Nos últimos anos, foram encontradas evidências de uma série de impactos adicionais que não haviam sido reconhecidos antes.”

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Foram as esférulas que permitiram aos cientistas refazer os cálculos para descobrir que a taxa de colisão havia sido subestimada. Os pesquisadores então modelaram como todos esses impactos teriam influenciado a atmosfera. Eles descobriram que os efeitos acumulados dos impactos de meteoritos por objetos maiores do que nove quilômetros provavelmente criaram um reservatório que sugou a maior parte do oxigênio da atmosfera.

Há 2,4 bilhões, o bombardeio do espaço diminuiu. A Terra então passou por uma grande mudança na química da superfície, desencadeada pelo aumento dos níveis de oxigênio, conhecido como o Grande Evento de Oxidação. “Com o passar do tempo, as colisões se tornaram cada vez menos frequentes e muito pequenas para alterar significativamente os níveis de oxigênio”, disse Marchi em um comunicado. “A Terra estava em seu curso para se tornar o planeta atual.”

Via SciTechDaily

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