Milhares de anos atrás, a Terra pode ter sofrido com diversos dilúvios gigantescos que despejavam mais de 30 centímetros de chuva em apenas algumas horas. Os pesquisadores do estudo, publicado na revista Nature, remodelaram o clima desde o início do planeta, quando a temperatura estaria em torno de 47º C. Eles chegaram a conclusão que os períodos de seca eram rapidamente substituídos por grandes tempestades.

De acordo com a equipe, este ciclo é um “estado atmosférico novo e completamente inesperado”. Além de melhorar nossa compreensão do passado e futuro da Terra, ele também pode aprimorar nossas observações de planetas fora do nosso Sistema Solar.

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“Se você olhar para uma grande porção dos trópicos hoje, sempre está chovendo em algum lugar”, diz o cientista climático Jacob Seeley, da Universidade de Harvard em Massachusetts.

Planeta Terra
Planeta Terra. Créditos: Shutterstock

“Mas descobrimos que em climas extremamente quentes, pode haver vários dias sem chuva em qualquer lugar ao longo de uma grande parte do oceano. Então, de repente, uma grande tempestade irrompe em quase todo o domínio, despejando uma quantidade enorme de chuva. Então tudo fica quieto por alguns dias e o ciclo se repete”, completou.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores fizeram várias simulações de temperaturas. Em uma delas, os cientistas aumentaram a temperatura em até 130º C mais quente do que a Terra naquele período.

Estes saltos de temperatura criam uma “camada de inibição” – uma camada próxima à superfície da Terra causada pelo vapor de água atmosférico aquecido, que evita que as nuvens convectivas subam e formem nuvens de chuva.

Ao mesmo tempo, porém, a perda de calor para o espaço causa a formação de nuvens na atmosfera superior. A chuva que essas nuvens causam evapora antes mesmo de atingir a superfície, justamente por causa do calor excessivo. Essa evaporação acaba quebrando a camada de inibição, desencadeando estes dilúvios que podem durar horas.

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“É como carregar uma bateria enorme”, diz Seeley. “Você tem uma tonelada de resfriamento alto na atmosfera e uma tonelada de evaporação e aquecimento perto da superfície, separados por essa barreira”. “Se algo conseguir romper essa barreira e permitir que o calor e a umidade da superfície invadam a atmosfera fria superior, isso causará uma enorme tempestade”, acrescentou.

Em uma das simulações, os pesquisadores observaram mais chuva em seis horas do que o produzido por alguns ciclones tropicais nos EUA em vários dias. Ou seja, é muita água caindo do céu.

“Este estudo revelou uma nova física rica em um clima que é apenas um pouco diferente da Terra atual, de uma perspectiva planetária”, afirma o cientista ambiental Robin Wordsworth, da Universidade de Harvard. “Isso levanta grandes questões sobre a evolução do clima da Terra e de outros planetas que vamos trabalhar por muitos anos”, concluiu.

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