A ESA está conduzindo testes e ajustes no que, diz ela, será “o menor sistema de rádio a ser lançado no espaço”. A grosso modo, trata-se de um pequeno radar que será lançado em um foguete em 2024 como parte da missão “Hera”, em direção ao asteroide binário Didymos.

Se o nome do asteroide lhe parece familiar, obrigado por acompanhar o Olhar Digital: como já explicamos, o Didymos é o alvo primário da missão DART, conduzida pela NASA, onde basicamente vamos jogar um foguete contra o asteroide na esperança de que o choque o desvie de sua rota original.

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Ilustração mostra o Juventas CubeSat, o "menor sistema de rádio" que vamos lançar ao espaço em 2024
Ilustração que demonstra o Juventas CubeSat e seu sistema de rádio, que serão lançados em direção ao asteroide Didymos pela ESA em 2024 (Imagem: ESA/Divulgação)

A missão Hera é uma espécie de “análise posterior” à DART, feita especificamente pela ESA. A agência espacial europeia vai posicionar o “menor sistema de rádio” em proximidade do asteroide, analisando as consequências do impacto da missão depois de dois anos.

O item de rádio estará acoplado a um satélite Juventas Cubesat, uma espécie de versão aprimorada dos CubeSats tradicionais, feita em seis unidades e com tamanho completo de 10 x 20 x 30 centímetros (cm), e um quarteto de antenas de mais ou menos 1,5 metro (m) cada. Os testes estão em condução dentro do “Hybrid European Radio Frequency and Antenna Test Zone” (ou simplesmente Hertz), na Holanda:

“Um elemento essencial de câmaras de teste como a do Hertz é a presença de ‘espinhos’ de espuma que absorvem ondas de rádio, permitindo que as avaliações imitem a ausência de som do vácuo do espaço”, explicou o engenheiro de antenas da ESA, Paul Moseley, em um comunicado emitido pela agência.

“Normalmente, porém, o Hertz só consegue conduzir testes em frequências de 400 megahertz [MHz], enquanto as antenas do Juventas irradiam a 60 MHz. Nessa frequência, os espinhos deixam de absorver os sinais, então ao invés de uma sala escura, nós acabaríamos em algo como uma sala de espelhos, refletindo múltiplos sinais de rádio que interferem com a precisão de nossos instrumentos”.

Segundo Moseley, um upgrade se fez necessário para contornar esse problema: por meio da construção de torres de fibra de vidro e o uso de softwares que fazem registros de ondas de rádio em diferentes locais da sala (efetivamente cancelando “ruídos”), eles conseguiram criar um sistema que permite a análise de várias frequências, sem sacrificar a exatidão dos resultados.

O projeto é parte de um esforço conjunto da ESA e da NASA para testes de capacidades de defesa planetária: embora nós tenhamos um bom acompanhamento de objetos no espaço que trazem certo risco a nossa civilização, nós ainda precisamos desenvolver métodos de proteção que nos permitam sobreviver – talvez até mesmo evitar – choques com corpos celestes errantes.

A missão DART, que será lançada na próxima quarta-feira (24), corresponde à primeira parte deste esforço: a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, a NASA lançará uma sonda equipada com todos os tipos de sensores – de fotográficos a sonoros – em direção ao Didymos, um asteroide binário – basicamente, uma rocha maior acompanhada por outra menor, rodeando a sua órbita. O que a DART fará é atingir esse asteroide menor e avaliar se a força cinética gerada pelo choque será capaz de desviar o asteroide de sua rota. A ideia é bater na pedra menor.

Dois anos depois, a missão Hera, da ESA, entra em cena para coletar os dados por meio da sonda que está neste momento em teste na Holanda. Entretanto, a agência ainda não confirmou datas exatas relacionadas ao lançamento da missão.

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