Várias galáxias anãs circundam a Via Láctea, formando a nossa vizinhança cósmica.  A maior delas é o sistema composto pela Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães, visíveis do hemisfério sul no céu noturno.

Durante sua dança em torno da Via Láctea ao longo de bilhões de anos, a gravidade das Nuvens de Magalhães arrancou de cada uma delas um enorme arco de gás – conhecido como Corrente de Magalhães. Esse fluxo ajuda a contar a história de como a Via Láctea e suas galáxias mais próximas surgiram e como será seu futuro.

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Uma visão do gás no Sistema de Magalhães como ele apareceria no céu noturno. Esta imagem, tirada diretamente das simulações, foi ligeiramente modificada por questões estéticas. Crédito: Colin Legg / Scott Lucchini

Modelos astronômicos desenvolvidos recentemente por cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison (UWM) e do Space Telescope Science Institute – centro científico de operações do Telescópio Espacial Hubble – recriam o nascimento da Corrente de Magalhães nos últimos 3,5 bilhões de anos. 

Usando os dados mais atuais sobre a estrutura do gás, os pesquisadores descobriram que a corrente pode estar muito mais próxima da Via Láctea e até cinco vezes mais perto da Terra do que se pensava.

O que pode acontecer se o fluxo se fundir com a Via Láctea

Publicadas na edição de 8 de novembro do periódico científico The Astrophysical Journal Letters, as descobertas sugerem que a corrente pode colidir com a Via Láctea muito mais cedo do que o esperado, ajudando a alimentar a formação de novas estrelas em nossa galáxia.

“A origem da Corrente de Magalhães tem sido um grande mistério nos últimos 50 anos. Propomos uma nova solução com nossos modelos”, disse Scott Lucchini, estudante de graduação em física na UWM e principal autor do artigo. “O que surpreendeu foi que os modelos trouxeram o fluxo para muito mais perto de nós”.

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De acordo com o site Phys, os novos modelos também fornecem uma previsão precisa de onde encontrar as estrelas do fluxo, que teriam sido arrancadas de suas galáxias-mãe com o resto do gás da corrente. Futuras observações telescópicas podem localizar as estrelas e confirmar se a nova reconstrução da origem da corrente está correta.

“Está mudando o paradigma do fluxo”, diz Lucchini. “Alguns pensaram que as estrelas estão muito fracas para ver porque estão muito distantes. Mas agora vemos que o fluxo está basicamente na parte externa do disco da Via Láctea”.

Elena D’Onghia, professora de astronomia na UWM e supervisora ​​do projeto, está empolgada com a descoberta. “Com as instalações atuais, devemos ser capazes de encontrar as estrelas. Isso é emocionante”.

Em 2020, a equipe de pesquisa previu que a Corrente de Magalhães seria envolvida por uma grande coroa de gás quente. Então, eles inseriram essa nova coroa em suas simulações, ao mesmo tempo em que explicam um novo modelo das galáxias anãs que sugere que elas têm uma história relativamente breve de orbitar umas às outras – meros 3 bilhões de anos ou mais. “Adicionar a coroa ao problema mudou a história orbital das nuvens”, explica Lucchini.

Nesta recriação, a Pequena Nuvem de Magalhães orbitou ao redor da Grande Nuvem de Magalhães na direção oposta do que se pensava anteriormente. À medida que as galáxias anãs em órbita extraíam gás umas das outras, elas produziram a Corrente de Magalhães.

Assim, a órbita na direção oposta empurrava e puxava o fluxo de forma que ele se arqueava em direção à Terra, em vez de se estender mais para o espaço intergaláctico. É provável que a posição mais próxima da corrente esteja a apenas 20 quiloparsecs – ou cerca de 65 mil anos-luz – de distância do nosso planeta. As próprias nuvens ficam entre 55 e 60 quiloparsecs de nós.

“A distância revisada muda nossa compreensão do fluxo. Isso significa que nossas estimativas de muitas das propriedades da corrente, como massa e densidade, precisarão ser revisadas”, disse Andrew Fox, do Space Telescope Science Institute.

Se o fluxo estiver tão próximo, provavelmente terá apenas um quinto da massa que se pensava até então. Sua maior aproximação também significa que o gás começará a se fundir com a Via Láctea em cerca de 50 milhões de anos, fornecendo o material novo necessário para iniciar o nascimento de novas estrelas na galáxia.

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