O grupo de ciberinteligência israelense NSO, conhecido pela criação do spyware Pegasus, está tentando apagar a fama de violador de direitos humanos e limpar sua barra nos Estados Unidos. Shalev Hulio, co-fundador da empresa, foi até o Capitólio tentar uma audiência com o governo, que colocou embargos na atuação deles em terras yankees.

A companhia foi descoberta em 2018, num escândalo político internacional por comercializar um software espião malicioso capaz de  quebrar segurança de qualquer tipo de smartphone. A detecção deste malware se faz presente até hoje, em ações que visam rastrear ativistas, jornalistas, agentes civis e políticos opositores de governos no mundo todo.

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O encontro com a administração de Joe Biden foi negado, e desde então, a NSO encara uma crise financeira: a posição na lista negra ameaça o apoio de instituições bancárias e fundos de pensão dos EUA, até então inadvertidos das ações da empresa israelense. Embora o apoio não foi cortado, as restrições colocam o grupo na iminênia do fim de apoio financeiro.

Falta de apoio dos Estados Unidos pode levar à falência da NSO

Moody, a agência de crédito dos Estados Unidos, informou ao The Guardian que a NSO corre o risco de ficar inadimplente, com uma dívida de US$ 500 milhões — cerca de R$ 2,85 bilhões, na conversão de hoje. O valor é mais que suficiente para levar o grupo à falência.

As dívidas se amontoam após a repercussão em larga escala. Big techs, como a Apple, entraram em processo contra a empresa israelense, chamando-os de “mercenários amorais” que exploravam seus produtos com rotinas de abuso flagrante.

“Enquanto a NSO estava ocupada se escondendo atrás de seus clientes sem nome, estava cometendo múltiplas violações de leis federais e estaduais, já que desenvolvia ou usava — ou auxiliava os outros no uso — de ferramentas para ferir usuários da Apple”, afirma o processo.

Em resposta, a NSO afirma que seu software é utilizado para atacar terroristas, pedófilos e criminosos, e não é utilizado de maneira alguma para espionar cidadãos.

Imagem: boyhey/Shutterstock

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