O chefe do WhatsApp, Will Cathcart, falou esta semana durante uma coletiva de imprensa que está acompanhando a tramitação do projeto de lei 2.630/20, conhecido como PL das Fake News. Segundo o presidente-executivo, apesar de concordar com a necessidade de regulação devido o fenômeno e desinformação, alguns detalhes ainda precisam ser repensados.

“Nós concordamos completamente com o objetivo de enfrentar fake news e desinformação”, disse Cathcart a Tilt, do UOL. “Mas discordamos de detalhes, como, por exemplo, a questão da rastreabilidade —que acreditamos ser a solução errada.”

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A PL das fake News, segundo informações do UOL, foi pensada para tipificar o crime de distribuição de notícias falsas pela internet. O texto original foi aprovado o ano passado pelo Senado e, recentemente, foi alterado e aprovado pelo Grupo de Trabalho (GT) da Câmara dos Deputados. A proposta aguarda aprovação da Câmara para voltar ao Senado, devido as mudanças. A Câmara dos Deputados não tem um prazo para entregar a versão final à Casa.

De acordo com alguns pontos do projeto, que transforma em crime a disseminação de notícias falsas, o uso de bots – robôs – não fica proibido, mas deverá seguir algumas regras para funcionar – como ser identificado. Assim, a rastreabilidade de mensagens também é embutida, dando as empresas capacidade de rastrear a origem de uma mensagem que viralizou.

Fake news WhatsApp
Chefe do WhatsApp diz que apesar do apoio a PL das fake news, discorda de alguns “detalhes”. Henryk Ditze/Shutterstock

Para Cathcart, a exigência “traz problemas muito, muito sérios para a liberdade das pessoas, sua habilidade de conversar livremente, e para a sua privacidade”. No caso do WhatasApp, especialistas apontam ainda que o método coloca em risco sua tecnologia de criptografia de ponta a ponta.

O executivo acrescentou ainda que apoia a regulamentação de apps por parte do governo, mas “desde que seja bem pensada e considerada.”

“Nós trabalhamos de forma proativa, sem qualquer regulamentação, para combater fake News… Estou ansioso para ver a versão final do projeto de lei e torço para que ele continue a proteger a respeitar a privacidade das pessoas, sem incluir coisas como rastreabilidade”, disse Cathcart, após ser questionado se existe o risco de o WhatsApp encerrar atividades no Brasil caso a PL seja aprovada com o texto de hoje.

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