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Alguns efeitos da Covid-19 ainda são um mistério e um dos mais investigados é a relação da doença com o esperma. Agora, uma pesquisa feita na Bélgica e publicada na última segunda-feira (20) revelou que a qualidade dos espermatozóides pode ser reduzida durante três meses após a infecção.
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O estudo foi divulgado no Journal Fertility and Sterility e contou com a participação de 120 homens com idade média de 35 anos. Eles foram avaliados cerca de 52 dias após a infecção por Covid-19.
“O tempo estimado de recuperação é de três meses, mas outros estudos de acompanhamento estão em andamento para confirmar isso e determinar se dano permanente ocorreu em uma minoria de homens”, explica um trecho da pesquisa.
Os cientistas também garantem que o esperma não é contagioso e não pode transmitir a Covid-19 ou causar qualquer tipo de problema em uma eventual gravidez. No entanto, a baixa qualidade do sêmem durante a recuperação pela doença pode fazer com que casais tenham dificuldades para engravidar.
“Os casais com desejo de engravidar devem ser avisados de que a qualidade do esperma após a infecção por Covid pode ser inferior ao ideal”, completa. Dos 52 homens avaliados, 37% tiveram a mobilidade dos espermatozóides reduzida e 29% tiveram baixa contagem de esperma após a infecção por Covid-19. Os efeitos foram reversíveis em todos os casos.
Esperma e a Covid-19
Em setembro, uma pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), começou a observar que os resultados de exames de fertilidade e hormonais deles permaneceram alterados por muitos meses após se recuperarem da doença.
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Apesar de ter sido um teste inicial e sem condições de diagnosticar fertilidade ou infertilidade, o espermograma de vários pacientes têm indicado que a motilidade espermática (a capacidade de os espermatozóides se moverem e fertilizar o óvulo, cujo índice normal é acima de 50%) caiu para entre 8% e 12% e permaneceu nesse patamar quase um ano após terem sido infectados pela Covid-19.
Os pacientes possuem idade média de 33 anos e são atendidos no Hospital das Clínicas da FM-USP e no Instituto Androscience. Com isso, os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Andrology.
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