Nem só de levar o homem de volta à Lua viverá o Programa Artemis, da NASA. A agência espacial americana também pretende usar a primeira missão do projeto — prevista para 2025 — para “dar carona” ao “Near-Earth Asteroid Scout”, um pequeno satélite para viajar e observar o também pequeno asteroide 2020 GE.

O 2020 GE tem menos de 18 metros (m). Ele chama bastante atenção da NASA por dois motivos: o primeiro, é que ele é classificado como “NEA” (sigla em inglês para “asteroide próximo à Terra”), e o segundo é que, quando o satélite chegar em seu destino, isso fará da rocha o menor objeto já visitado por uma nave humana — nós nunca exploramos nenhum asteroide com menos de 100 metros antes.

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O pequeno satélite Near-Earth Asteroid Scout, composto de velas solares ao redor de um CubeSat, vai investigar o asteroide 2020 GE, pegando carona na primeira missão do Programa Artemis
O pequeno satélite Near-Earth Asteroid Scout, composto de velas solares ao redor de um CubeSat, vai investigar o asteroide 2020 GE, pegando carona na primeira missão do Programa Artemis (Imagem: NASA/Divulgação)

A missão em será relativamente simples: o satélite da NASA usará suas câmeras para observar o tamanho, rotação, formato e propriedades da superfície do 2020 GE. Ao mesmo tempo, ele também vai olhar cuidadosamente ao redor do asteroide, analisando as propriedades de qualquer poeira cósmica ou destroços que possam estar acompanhando a rocha espacial.

A câmera do Near-Earth Asteroid Scouter é especialmente desenhada para esse tipo de observação aprofundada: dotada de uma resolução de quatro polegadas por pixel, ela será capaz de determinar, por exemplo, se o 2020 GE é um objeto sólido ou se é composto de várias pequenas rochas que se juntaram, como uma versão menor do mais conhecido asteroide Bennu.

“Graças à descoberta de NEAs por observatórios na superfície da Terra, vários alvos foram identificados pelo satélite — todos dentro de cinco a 30 metros de tamanho”, disse Julie Castillo-Rogez, investigadora principal da missão no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, na Califórnia. “O 2020 GE representa uma classe de asteroides sobre a qual sabemos muito pouco”.

Determinar a natureza de um asteroide tão próximo de nós é essencial, do ponto de vista da defesa planetária: é fácil pensarmos nas gigantescas pedras que vemos se aproximar de longe (e que trazem potencial cataclísmico de extinção em massa, como o que sacramentou o fim dos dinossauros), mas os objetos menores e mais próximos também apresentam um risco bastante incômodo à humanidade.

Castillo-Rogez citou o exemplo do Meteoro de Chelyabinsk, que atingiu a cidade homônima russa em fevereiro de 2013 — a rocha se desprendeu de um asteroide de aproximadamente 20 metros de diâmetro — e que criou uma onda de choque que destruiu janelas por toda a cidade, ferindo mais de 1,6 mil pessoas.

O Meteoro de Chelyabinsk está na mesma classe do 2020 GE, então qualquer informação antecipada sobre ele nos ajudará a, entre outras coisas, nos preparar adequadamente caso o pior aconteça.

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