Uma perereca bastante rara, da espécie Phrynomedusa appendiculata, foi “redescoberta” no município de Capão Bonito, no interior de São Paulo (SP), por cientistas do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP). Visto pela última vez em 1970, o animal há muito já era considerado extinto por especialistas.

“Ficamos surpresos e muito empolgados ao notar que estávamos diante da espécie Phrynomedusa appendiculata, considerada até mesmo possivelmente extinta”, falou ao Jornal da USP o pesquisador Leandro Moraes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Zoologia do instituto.

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Imagem mostra a Phrynomedusa appendiculata, espécie de perereca redescoberta em São Paulo
A perereca Phrynomedusa appendiculata, que antes pensávamos estar extinta, foi encontrada no interior de São Paulo, em grupo de 15 indivíduos e se reproduzindo (Imagem: Jornal da USP/Reprodução)

Segundo Moraes, a maior parte das espécies deste gênero vive mais escondida, preferindo ambientes de mata mais elevada ou então se agarrando em árvores e arbustos. Por essa razão, encontros com humanos são difíceis de ocorrer. No entanto, de tempos em tempos, elas devem deixar as alturas para encontrar corpos de água e se reproduzirem.

Foi neste contexto que o encontro de Moraes e sua equipe com a espécie ocorreu: ele contou ao jornal universitário que seu time “deu de cara” com 15 indivíduos da espécie, todos em atividade reprodutiva.

“Apesar de também termos feito buscas em diversos outros ambientes e localidades durante esse projeto, essa espécie somente foi registrada nesse único ponto”, contou o pesquisador, que ainda citou o nome do morador local Matias Queiroz como o guia que levou a equipe até a área onde, posteriormente, a espécie rara de perereca seria “redescoberta”.

Um dos indivíduos foi coletado pelo time e levado ao Museu de Zoologia da USP, onde serão conduzidas diversas análises para determinar não apenas hábitos de convívio e comportamento, mas também aprender mais sobre a sua biologia e, com sorte, atualizar para um status menos preocupante a sua posição como “animal em risco de extinção”.

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Moraes ressalta a importância desta parte pois, segundo ele, “as chances de reencontrá-las diminuem com a degradação contínua da Mata Atlântica”. O bioma já correspondeu a 15% de todo o território brasileiro, mas vem há anos sofrendo imensas reduções devido ao avanço da urbanização de grandes metrópoles, bem como políticas fracas de conservação ambiental ao longo de várias administrações governamentais.

“Por se localizar na região litorânea, onde vivem mais de 50% da população brasileira, é o mais ameaçado entre os biomas que ocorrem no Brasil, restando cerca de 27% de sua cobertura florestal original. Foi identificado como a quinta área mais ameaçada e rica em espécies endêmicas do Mundo”, diz trecho de um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

“Neste Bioma” — continua o documento — “existem 1.361 espécies da fauna brasileira, com 261 espécies de mamíferos, 620 de aves, 200 de répteis e 280 de anfíbios sendo que 567 espécies só ocorrem neste bioma. Atualmente sua área encontra-se reduzida e fragmentada, com remanescentes florestais localizados principalmente em áreas de difícil acesso”.

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