Apesar de vários esforços para salvá-lo, o cargueiro Felicity Ace, cujo incêndio havia recuado na semana passada, afundou. A embarcação submergiu na última terça-feira (1º) a cerca de 410 km da costa do arquipélago de Açores (Portugal), após ser atingida por ondas e tombar a 45 graus para estibordo. Dentro do navio incendiado, havia mais de 4 mil carros de luxo da Volkswagen, incluindo 1.100 Porsches.

À Reuters, João Mendes Cabeças, capitão do porto da Horta, o mais próximo de onde houve o incidente, disse que o Felicity Ace naufragou quando começaram os esforços para rebocá-lo. Segundo ele, o mar estava muito agitado e a embarcação sofrera graves problemas estruturais causados pelo incêndio. “Quando o reboque começou, a água começou a entrar”, relatou o capitão. “Aí o navio perdeu a estabilidade e afundou.”

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Segundo Pat Adamson, porta-voz da transportadora japonesa MOL, administradora do navio, rebocadores e embarcações de salvamento que acompanhavam a embarcação estão na área para monitorar a situação. “Não parece haver muita poluição por óleo ainda”, relatou.

No último dia 10, o Felicity Ace saiu do porto de Emden (Alemanha), onde a Volks tem uma fábrica, em direção ao estado de Rhode Island, costa leste dos Estados Unidos. Por motivos desconhecidos, o incêndio começou seis dias depois, próximo do arquipélago de Açores, em Portugal. No mesmo dia, a tripulação foi evacuada, mas a embarcação ficou à deriva, pegando fogo por quase uma semana. No navio, havia carros de luxo das marcas Volkswagen, Porsche, Audi, Bentley e Lamborghini. Nenhum modelo, importante destacar, se salvou.

Felicity Ace, navio com carros de luxo da Volkswagen
Imagens do Felicity Ace do último dia 1º de março, antes de afundar (Marinha Portuguesa/Divulgação)

Resgate do navio começou na semana passada

Na semana passada, uma equipe de resgate conseguiu embarcar no navio de helicóptero, segundo informações da Marinha Portuguesa. Uma linha de reboque foi conectada pelo barco de salvamento “Bear”, que levava a embarcação de volta aos Açores. Ele estava sob escolta de dois outros, ALP Guard e Dian Kingdom, e um rebocador de manuseio de âncoras com capacidade de combate a incêndios, o V.B. Hispanic.

No último dia 25, a Marinha Portuguesa relatou que a situação do navio era estável e a fumaça não era mais visível, apesar do incêndio ter atingido toda a área da garagem com os veículos. Na terça-feira (1º), porém, o navio tombou para estibordo. Na última imagem da embarcação divulgada pela Marinha Portuguesa, é possível ver que o fogo causara danos à boa parte da estrutura da embarcação — muito mais até do que em relação às fotos divulgadas no meio de fevereiro.

Construído em 2005, o Felicity Ace era operado pela transportadora japonesa MOL e de propriedade de uma de suas subsidiárias, a Snowscape Car Carriers. A Smit Salvage, parte da empresa holandesa Boskalis, foi a empresa designada para salvar o barco.

Felicity Ace, navio com carros de luxo da Volkswagen
Felicity Ace no dia 18 de fevereiro, pouco depois de pegar fogo (Marinha Portuguesa/Divulgação)

Incêndio vai custar US$ 155 milhões à Volkswagen

A Volkswagen preferiu não comentar sobre o navio com seus carros de luxo. Ainda na semana passada, a montadora alemã temia que um grande número dos carros incinerados não fosse mais aproveitável. Danos aos automóveis, no entanto, serão cobertos pelo seguro, garantiu a empresa, mas o número de notificações às concessionárias nos EUA preocupa.

Na semana passada, a empresa de modelagem de risco Russell Group estimou que o incidente custaria à Volkswagen pelo menos US$ 155 milhões (o equivalente a R$ 800 milhões). Esta projeção assume que todos os veículos teriam sido perdidos no incêndio. O valor total dos automóveis no navio somava US$ 401 milhões (R$ 2,1 bilhões).

Crédito da imagem principal: Marinha Portuguesa/Divulgação

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