A invasão da Rússia na Ucrânia está rendendo uma guerra que vai além do campo de batalha, os países travam também uma disputa na internet, através das redes sociais, e um ministro ucraniano parece estar nessa “linha de frente digital”.  

Mykhailo Fedorov, de 31 anos, é ministro da Transformação Digital ucraniano e tem usado as redes sociais para pedir boicotes contra a Rússia, solicitar ajuda e ainda chamar hackers para responder aos ataques do país invasor. Em entrevista para a BBC, o ucraniano explicou que tem pressionado gigantes como Meta, Google, Microsoft e Apple a boicotarem seus serviços na Rússia.

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Boa parte desse movimento ocorre em um grupo do Telegram. Plataforma que, curiosamente, foi fundada na Rússia. O grupo “The IT Army of Ukraine” contém hoje mais de 270 mil membros que incentivam os ataques contra a Rússia nas plataformas digitais.

Rússia X Ucrânia na Internet

“Nós estamos trabalhando dia e noite para proteger a Ucrânia na fronteira da internet e precisamos de todo meio possível para defender nossa terra e nosso povo”, disse na entrevista. Nós estamos trabalhando dia e noite para proteger a Ucrânia na fronteira digital e precisamos de todo meio possível para defender nossa terra e nosso povo”, completou ainda.

No Twitter, Fedorov deixou de escrever apenas em ucraniano e começou a twittar também em inglês, o que aumentou o alcance de suas publicações. “O Twitter tornou-se uma ferramenta eficiente que estamos usando para conter a agressão militar russa. É nossa ferramenta inteligente e pacífica para destruir a economia russa”, completou.

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Em um tweet direcionado para Elon Musk, Fedorov conseguiu que a Ucrânia recebesse cobertura da internet via satélite Starlink para continuar conectada durante a guerra. “Cada plataforma é muito importante para nós agora, e estamos usando toda oportunidade para atrair grandes empresas para este horror que está acontecendo agora na Ucrânia. Estamos tentando levar a verdade aos russos e fazer com que eles protestem contra a guerra”, disse o ministro.

Apesar disso, o movimento também recebe críticas por incentivar ataques hackers contra a Rússia e moradores do país. “Se entramos em ataques destrutivos contra infraestrutura crítica sendo realizados por cidadãos, eu acho que começamos a entrar nos tipo de névoa da guerra, atribuições erradas, potenciais impactos em cascata que não estávamos antecipando. As coisas podem se agravar rapidamente”, disse Suzanne Spalding, do Centro para Estudos Estratégicos Internacionais, para a BBC.

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