A agência espacial europeia (ESA) conduziu coletiva de imprensa para confirmar o fim de uma parceria com a Rússia para diversas missões lunares a serem executadas ao longo da segunda metade desta década. Na mesma ocasião, a agência também comunicou que está procurando novos fornecedores tecnológicos para desenvolver os motores de propulsão do foguete Vega – uma tarefa que hoje está nas mãos da Ucrânia.

A medida é mais um passo tomado pela ESA para se desvencilhar da teia de relações que ela tem com a Rússia, uma forma de repudiar as ações do presidente Vladimir Putin e sua invasão à Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro mas que dura até hoje.

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Diretor geral da ESA, Josef Aschbacher, comunicou o fim de uma parceria com a Rússia para a condução de missões lunares: medida é resposta às ações de Vladimir Putin na invasão da Ucrânia
Diretor geral da ESA, Josef Aschbacher, comunicou o fim de uma parceria com a Rússia para a condução de missões lunares: medida é resposta às ações de Vladimir Putin na invasão da Ucrânia (Imagem: ESA/Divulgação)

A série de missões Luna veria o envio de diversos robôs de exploração à superfície da Lua. A decisão da ESA entra em efeito imediato, tanto que a agência europeia já pediu a devolução da câmera de pouso Pilot 25, no momento instalada em um foguete Soyuz russo.

“Eu já comuniquei a nossa decisão ao diretor da Roscosmos e pedi que Pilot D seja colocado em armazenamento seguro até que seja oportuno a eles devolverem-na para a ESA”, disse o diretor geral da agência europeia, Josef Aschbacher. “Roscosmos” é a agência espacial russa, dirigida por Dmitry Rogozin.

A decisão vale para todo o cronograma de missões, incluindo a missão Luna 27, que levaria um rover com uma perfuratriz de um metro de profundidade e capacidade de registro de imagens com inteligência artificial (IA).

É importante ressaltar que o programa de missões não foi cancelado. A ESA apenas comunicou o fim de sua participação, mas a Rússia poderá seguir com o calendário sozinha ou encontrar outro parceiro se assim desejar.

Aproveitando o ensejo, a parceria da ESA com a Ucrânia também está finalizada. Não por culpa do país invadido, vale citar: a empresa Yuzhmash, responsável pelo desenvolvimento dos motores do foguete europeu Vega, promove esse serviço em nome do programa espacial russo. Dnipro, a cidade onde Yuzhmash mantém sua sede, foi fortemente bombardeada ao longo da guerra, mas nenhum dano à estrutura de fabricação da empresa foi relatado até agora.

Segundo a ESA, a agência tem estoque suficiente de motores para seus foguetes em missões de 2022 e 2023, mas posterior a isso, ela deverá contar com outros parceiros. “Estamos trabalhando com oportunidades de motores dentro e fora da Europa, sendo que todas as opções ou já foram testadas ou, melhor ainda, já existem em uso comercial totalmente qualificado”, disse o diretor de transportes espaciais da agência, Daniel Neuenschwander.

Esse é o segundo golpe da ESA no programa espacial russo: em março de 2022, a ESA também anunciou a suspensão da missão ExoMars, que enviará um rover europeu para Marte. A missão em si ainda existe – o rover está pronto, afinal -, mas falta a decisão de quem vai levá-lo até o planeta vermelho.

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