Somente nos EUA, o número de pessoas com doenças relacionadas à saúde dos olhos deve saltar para oito milhões até 2050. Pensando nisso, cientistas da University of Southern California estão trabalhando um método que, se confirmado, deve ajudar cegos a “ver pelo som”.

Atualmente, segundo os pesquisadores, existem diversos métodos que ajudam deficientes visuais a enxergarem. Entretanto, todos eles são altamente invasivos e caros – comumente exigindo cirurgias e implantes em áreas essenciais, como córneas ou o cérebro -, e nem todos têm um desempenho pleno. Em outras palavras, você pode acabar pagando muito dinheiro para “ver” de uma forma reduzida, o que pode ter um impacto negativo em suas expectativas e, consequentemente, na sua saúde mental.

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Nisso, entra o professor Qifa Zhou, do setor de Oftalmologia e Bioengenheria da USC, e sua ideia de dar a cegos a capacidade de ver pelo som. “Essa é uma tecnologia inovadora”, disse Zhou. “Agora mesmo, estamos conduzindo estudos com animais, tentando usar estímulos de ultrassom para substituir impulsos elétricos diretos”.

Sabe quando você empurra o globo ocular com o dedo e começa a ver abstrações de formas geométricas e cores? Elas se chamam “fosfenos” e são, essencialmente, uma resposta comum do corpo: basicamente, ações como esfregar os olhos aumentam a pressão dentro do globo ocular, e essa pressão aciona células ganglionares dentro do olho, da mesma forma que faz a luz – só que de forma descoordenada. É por esse motivo que, se você esfregar os olhos, você verá “alguma coisa”, mas não saberá descrever exatamente o que viu.

Essa mesma premissa serve como mecanismo dos estudos do time liderado por Zhou: só que ao invés de apertar os olhos de seus pacientes, os cientistas usaram um dispositivo vestível que emite sons em ultra frequência (ultrassom) em ondas coordenadas. “Os neurônios presentes na retina ocular têm canais mecanicamente sensíveis que respondem a esse tipo de estímulo”, disse Gengxi Lu, estudante de Ph.D no mesmo laboratório. “Esses neurônios são ativados quando usamos o ultrassom para criar uma pressão mecânica”.

Usando um método de transmissão que se assemelha ao exame feito por mulheres grávidas para extrair imagens do bebê dentro de seus corpos, os cientistas conseguiram estimular as retinas de ratos cegos, fazendo-os “ver pelo som” por meio do reconhecimento neurológico de padrões – a grosso modo: se as ondas sônicas são distribuídas na forma da letra “C”, o cérebro pode reconhecer esse padrão e traduzir da mesma forma para o paciente.

Evidentemente, ratos não reconhecem letras, então, a fim de medir a eficácia do experimento, cientistas prenderam eletrodos que pudessem registrar a atividade do córtex visual localizado em seu cérebro. Embora não fosse possível determinar “o que” o rato viu, eles asseguram que o animal viu alguma coisa, considerando o aumento súbito no volume de atividade desse córtex.

O futuro agora depende de uma segunda bolsa de financiamento para que o time consiga criar um modelo computadorizado que simule o cérebro de um primata, testando os parâmetros de sua criação em algo mais próximo do cérebro humano.

Se isso der certo e a pesquisa avançar – e superar – os testes clínicos humanos, será a hora de desenvolver uma lente translúcida capaz de ser usada pelos pacientes de forma normalizada, sem cirurgia nem nenhum procedimento invasivo.

Os estudos primários já foram publicados no jornal BME Frontiers.

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