Ciência e Espaço

Estudante produz plástico com casca de laranja e busca apoio para competição internacional de ciência

11/05/22 17h32, atualizada em 11/05/22 19h05

Imagem: kisa2014 - Shutterstock

Um projeto desenvolvido por alunos de uma escola pública do Distrito Federal propõe um método inovador para transformar cascas de laranja em plástico biodegradável. Apresentada originalmente em uma feira de ciências do Centro de Ensino Médio 02, que fica na região administrativa do Gama, a invenção já foi contemplada com diversos prêmios, como a segunda colocação na World Invention Competition and Exhibition (WICE) de 2020, na Malásia.

Projeto cria bioplástico feito de cascas de laranja. Imagem: Alex Aragão/ Divulgação

Por causa da pandemia de Covid-19, o evento aconteceu de forma online, não havendo a necessidade de deslocamento dos autores para receber o prêmio em mãos.

Uma nova oportunidade de levar o projeto para conhecimento da comunidade científica internacional pode acontecer por meio do London International Youth Science Forum, que está prestes a ser realizado na capital da Inglaterra, entre os dias 27 de julho e 10 de agosto.

A jovem cientista Kazue Nichi, uma das criadoras do bioplástico de casca de laranja, criou uma vaquinha para arrecadar recursos para participar de premiação internacional de ciências. Imagem: Arquivo pessoal

Para isso, Kazue Nishi, de 20 anos, que agora toca o projeto sozinha, criou uma vaquinha virtual para arrecadar os R$20 mil necessários para conseguir participar. “É um evento que acontece anualmente em Londres na Imperial College of London e reúne vários jovens cientistas de todo o mundo para palestras, debates, visitas a universidades tipo Cambridge e Oxford, museus de ciências, visitas a laboratórios, apresentação de projetos e, claro, intercâmbio cultural”, disse a jovem.

No Twitter, o humorista Paulo Vieira revelou que vai dar as passagens para Londres e incentivou seus seguidores a ajudar no restante das despesas, que incluem a taxa de inscrição, que deve ser paga até 1º de julho.

Até o momento, já foram arrecadados R$8.465,68. Para contribuir, basta acessar a página da vaquinha organizada por Kazue.

Entenda o método que transforma casca de laranja em plástico biodegradável

A iniciativa surgiu em agosto de 2019, quando Kazue e seus colegas Barbara Wingler e Lucas Silva decidiram buscar uma solução para ajudar a minimizar os impactos do descarte irregular dos plásticos no meio ambiente.

O professor Alex Aragão (segundo a partir da esquerda) com os alunos Lucas Silva, Bárbara Wingler e Kazue Nishi, em 2020. Imagem: Renato Araújo / Agência Brasília

“O principal objetivo deste projeto foi produzir um plástico biodegradável, visando oferecer uma solução ecológica e economicamente atraente para dois grandes poluentes do meio ambiente: os rejeitos da indústria da laranja e o plástico derivado do petróleo”, diz a apresentação do trabalho dos jovens cientistas. 

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Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o plástico é um dos principais poluidores do meio ambiente. A casca da laranja, por sua vez, contém altos índices de matéria orgânica, tornando-a um agente altamente poluidor quando descartada de maneira indevida. 

O processo para a produção do plástico biodegradável é dividido em duas etapas: pré-tratamento e preparação da solução. Na primeira, as cascas são lavadas por 3 dias para retirar os açúcares solúveis. Depois disso, são secas e trituradas até virarem pó. 

Para a preparação da solução, são misturados água deionizada, ácido cítrico e glicerina, junto com o pó de casca de laranja. Essa solução é colocada em banho-maria por uma hora a 70 °C sob agitação constante. 

Feito isso, a solução obtida é distribuída em placas de petri para secar por quatro a sete dias em uma estufa improvisada feita de madeira e alimentada por energia solar. 

“Esse procedimento nos permitiu obter membranas translúcidas, com um aspecto visual muito bom, e baixo custo de produção, acreditando ser atrativo para a indústria”, escreveram os autores. 

Eles dizem que as propriedades mecânicas ainda podem ser melhoradas, com a adição de metodologias que permitam a obtenção de um material mais resistente e modelável, que possa ser utilizado para a fabricação de diversos produtos substituindo com eficiência o plástico derivado do petróleo.

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