Conforme noticiado esta semana pelo Olhar Digital, um conjunto de videoconferências agendado para esta quinta-feira (12) revelaria detalhes de uma descoberta feita na Via Láctea pelo Event Horizon Telescope (EHT). E o mistério chegou ao fim: os astrônomos divulgaram, pela primeira vez, uma imagem do buraco negro supermassivo central da nossa galáxia chamado Sagitário A*.

“Hoje, o EHT tem o prazer de compartilhar a primeira imagem do gigante gentil no centro de nossa galáxia”, disse Feryal Özel, astrofísico da Universidade do Arizona, durante a coletiva de imprensa realizada pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA, que contribui com o financiamento para o EHT.

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Primeira imagem do buraco negro supermassivo Sagitário A*, no centro da Via Láctea, revelada pelo Event Horizon Telescope em 12 de maio de 2022. Crédito: Event Horizon Telescope

Não se pode dizer que isso foi exatamente uma surpresa, pois a grande maioria dos especialistas estavam aguardando justamente por uma imagem real desse grande monstro cósmico que até então nunca havia sido visualizado. Isso significa que é primeira vez que a humanidade consegue ver o buraco negro supermassivo do coração da Via Láctea.

Sagitário A* está a uma distância de mais de 25 mil anos-luz da Terra. Portanto, embora seja o objeto mais poderoso de toda a nossa galáxia, captar uma imagem dele não é uma tarefa fácil. Isso é o que torna essa descoberta algo único na história das observações astronômicas.

Mais de 300 pessoas estiveram envolvidas no estudo liderado pela equipe do EHT, uma rede de radiotelescópios e observatórios espalhados ao redor do mundo, em parceria com o Observatório Europeu do Sul (ESO).

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Buracos negros têm uma massa tão extrema e um poder gravitacional tão forte, que “sugam” qualquer coisa que se aproxime, e nem mesmo a luz consegue escapar de suas “garras”. Como Sagitário A* é relativamente próximo à Terra, essa “fome” toda é algo que realmente assusta. 

Segundo os cientistas, a imagem recém-revelada é baseada em observações de luz – a luz emitida pela matéria que é aquecida à medida que corre em direção ao buraco negro. Esta técnica dá aos cientistas uma visão essencialmente da sombra do buraco negro.

Em 2019, os cientistas também mexeram com os ânimos de curiosos do mundo todo antes de revelar a primeira imagem já captada de um buraco negro, o Messier 87 (ou M87*), que fica a 50 milhões de anos-luz da Terra e tem 7 bilhões de vezes a massa do Sol.

Maior do que a nossa própria galáxia, M87* é um buraco negro ativo, consumindo material de um disco de gás e poeira espacial que o circunda. Mas nem todo o material é “engolido”: parte dele é guiado por linhas magnéticas e viaja até os polos, onde é disparado para o espaço na forma de jatos de plasma ionizado, viajando a 99% da velocidade da luz.

Comparação entre as imagens do buraco negro M87*, revelada ao mundo em 2019, e a do Sagitário A*, divulgada nesta quinta-feira (12). Crédito: Event Horizon Telescope

Já o buraco negro Sagitário A*, cuja imagem foi revelada ao mundo nesta manhã, é muito menor que o M87*. Com 4,7 milhões de vezes a massa do Sol, seu tamanho reduzido foi um dos desafios para a captação de sua imagem.

Além disso, como os buracos negros não emitem luz, captar a “silhueta” causada pela flexão gravitacional da luz em gravidade extrema é algo extremamente desafiador. Sendo assim, a única maneira de ter uma foto deles é utilizando uma técnica conhecida como interferometria, somando os dados de vários radiotelescópios em diversos pontos do planeta para produzir uma imagem única, como se fosse de apenas um radiotelescópio do tamanho da Terra.

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