Cientistas encontram cristais nunca antes vistos em restos do Meteorito de Chelyabinsk

Asteroide explodiu na atmosfera da Terra com a força de 30 bombas atômicas, levando à queda de um meteorito na cidade russa em 2013
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Imagem: MikhailSh/Shutterstock

Em um novo estudo, publicado no European Physical Journal Plus, cientistas afirmam ter descoberto cristais inéditos para a ciência dentro de fragmentos do Meteorito de Chelyabinsk, o remanescente de um asteroide que explodiu na atmosfera da Terra, cujo um dos seus pedaços caiu na cidade russa em fevereiro de 2013.

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De acordo com as informações divulgadas, os pesquisadores estavam analisando partes da “poeira de meteoro” que se acumulou na atmosfera antes de descer à superfície sob um microscópio, quando, por golpe de sorte, encontraram alguns pedaços com o tamanho minimamente suficiente para serem vistos pelas lentes.

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Cristais encontrados em restos do Meteorito de Chelyabinsk são, segundo pesquisadores, inéditos para a ciência
Cristais encontrados em restos do Meteorito de Chelyabinsk são, segundo pesquisadores, inéditos para a ciência (Imagem: Taskaev et al/Divulgação)

Normalmente, resquícios desse tipo se perdem pelo fato de rochas espaciais se queimarem dentro da nossa atmosfera ou, quando passam por ela, aterrissarem no mar. O meteorito de Chelyabinsk, no entanto, caiu em terra firme, permitindo à poeira que se acumulasse no céu e, quando ficasse pesada demais, descesse ao solo, pronta para coleta.

Os cientistas contaram como tiveram o golpe de sorte um desses cristais estar exatamente no centro de uma das lâminas do microscópio. Fosse qualquer outra posição, os pesquisadores admitem que a teriam perdido. A partir daí, o time passou para o microscópio eletrônico, o que melhorou a visualização apenas marginalmente.

De acordo com os pesquisadores, os cristais têm formas comuns – alguns quase esféricos, outros em forma de concha ou hexágonos. Em todos os casos, os cristais vindos do meteorito de Chelyabinsk traziam “peculiaridades morfológicas únicas”. Análises de raios-x posteriores revelaram camadas de grafite envolvendo um agrupamento central nos núcleos dos cristais.

Os cientistas especulam que esses compostos são uma entre duas opções: Buckminsterfullereno (uma molécula parecida com uma jaula esférica contendo 60 átomos de carbono, ou simplesmente “C60”) ou polyhexacyclooctadecano (C18H12), uma molécula composta de hidrogênio e carbono.

A suspeita é a de que esses compostos químicos tenham se formado na alta temperatura em que o asteroide se encontrava quando explodiu – estima-se que a explosão foi 30 vezes maior que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. O mecanismo disso, no entanto, ainda é desconhecido.

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Rafael Arbulu

Jornalista formado pela Universidade Paulista, Rafael é especializado em tecnologia, cultura pop, além de cobrir a editoria de Ciências e Espaço no Olhar Digital. Em experiências passadas, começou como repórter e editor de games em diversas publicações do meio, e também já cobriu agenda de cidades, cotidiano e esportes.

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