Europa rompe parceria com a Rússia em missão para explorar Marte; entenda

Agência espacial europeia já havia suspendido a participação russa em virtude da guerra na Ucrânia, e agora oficializou o fim das relações
Rafael Arbulu, editado por Acsa Gomes 14/07/2022 09:31, atualizada em 15/07/2022 15:14

O que era uma suspensão agora virou uma demissão: a agência espacial europeia (ESA) confirmou o fim da participação da Rússia na missão ExoMars, que planeja lançar um rover na superfície de Marte para a busca de sinais de vida – antiga ou atual – ao final desta década.

Continua após a publicidade

A situação é basicamente uma oficialização de uma suspensão ocorrida em março de 2022, quando a ESA decidiu suspender relações com a Rússia (que vinha desenvolvendo parte da tecnologia da ExoMars) após o governo de Vladimir Putin, em fevereiro, invadir a Ucrânia em ato de guerra.

Leia também

Originalmente, a ESA lançaria o rover – chamado Rosalind Franklin – por meio de um foguete Proton a partir do cosmódromo Baikonur, e o pouso do veículo na superfície de Marte seria feito com o auxílio de um módulo chamado Kazachok. 

Segundo o diretor da ESA, Josef Aschbacher, a decisão foi tomada em conselho deliberativo, avisando a seus seguidores no Twitter que os termos da suspensão ainda valiam. Aschbacher ainda prometeu mais informações sobre o futuro da missão para uma transmissão ao vivo agendada para a próxima quarta-feira (20).

Obviamente, já podemos prever algumas consequências dessa mudança: é improvável que, considerando a necessidade de se encontrar um novo parceiro para a produção de um foguete e uma base de lançamento, a missão ExoMars seja lançada em 2028, como anteriormente planejado.

Isso porque, com a Rússia, a missão ExoMars tiraria proveito e um alinhamento planetário entre Terra e Marte, que criaria condições ideais de trânsito para o planeta vermelho – esse alinhamento ocorre uma vez a cada 26 meses.

Vale lembrar, no entanto, que a exclusão da Rússia da ExoMars não implica em deixar de usar o material que já vinha sendo conduzido: devido à sua natureza de duas fases, a missão já lançou alguns aparatos tecnológicos pelos esforços russos – como a sonda Trace Gas Orbiter (TGO), que saiu do cosmódromo e chegou à órbita de Marte em outubro de 2016 e segue estudando a superfície do planeta vermelho.

A ESA não é a primeira a excluir a Rússia de seus projetos espaciais: desde que a guerra começou, propulsores de foguete de fabricação russa não são mais vendidos a empresas norte-americanas, e a empresa aeroespacial francesa Arianespace dissolveu a parceria com o país, que a via usar os foguetes Soyuz em alguns lançamentos de satélites.

Continua após a publicidade

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

R
Rafael Arbulu

Jornalista formado pela Universidade Paulista, Rafael é especializado em tecnologia, cultura pop, além de cobrir a editoria de Ciências e Espaço no Olhar Digital. Em experiências passadas, começou como repórter e editor de games em diversas publicações do meio, e também já cobriu agenda de cidades, cotidiano e esportes.

Acsa Gomes
Acsa Gomes

Acsa Gomes é formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela FAPCOM. Chegou ao Olhar Digital em 2020, como estagiária. Atualmente, faz parte do setor de Mídias Sociais.

Gostou? Compartilhe! Ajude mais pessoas a ficarem informadas.
Prefira o OD no Google
Ícone Whatsapp Ícone Whatsapp Ícone Instagram Ícone Facebook Ícone Linkedin Ícone Telegram Ícone Email