Games que jogadores podem receber valores reais em criptomoedas ou NFTs (tokens não fungíveis) estão buscando estabilidade na indústria dos jogos, mas ainda enfrentam o ceticismo de muitas pessoas.

Uma reportagem do site Rest of World procura desdobrar o assunto e fez um panorama do momento atual envolvendo os jogos “play-to-earn” (jogar para ganhar, em tradução livre). A matéria indica que o Brasil, um dos maiores mercados dos jogos mobile, é um local para uma possível nova onda de domínio do gênero.

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Imagem: Reprodução/Snackclub
Imagem: Reprodução/Snackclub

Lançado pela Monomyto, empresa-irmã da LOUD e Snackclub, o game “Gunstars” seria um desses indicativos. O jogo busca contornar as falhas que outros jogos “play-to-earn”, como “Axie Infinity”, acabaram construindo e buscam se solidificar no ramo. Os desenvolvedores, nesse sentido, conduzem o sistema com custos baixos e mecânicas mais acessíveis, buscando atrair jogadores fora do nicho.

“Apesar do hype, jogos ‘play-to-earn’ apresentam muito mais má reputação do que o contrário. Eles não são muito divertidos”, afirma Vitor Gamez, um dos jogadores brasileiros de Gunstars. Gamez é um streamer na Twitch e um dos céticos em relação ao gênero, ao ponto de perder o interesse no game da Monomyto. “Não é um jogo que se adapta à diversão. Todas as rodadas são iguais, o mapa nunca muda…não me senti recompensado”, completou.

Apesar das críticas que envolvem especulação e outros transtornos econômicos, alguns investidores continuam acreditando no setor. Casos de Matthew Ho e Angelo Cazzola, co-fundadores das empresas que controlam “Gunstars”. Eles buscam uma visão mais simplificada das transações financeiras no jogo, sem utilizar criptomoedas, por exemplo.

“Nunca visamos o espaço criptográfico. O jogo é muito direcionado a jogadores de celular casuais”, disse Matthew Ho.

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Mark Venturelli, desenvolvedor do estúdio Rogue Snail, é um dos críticos do chamado “blockchain gaming”. Venturelli foi um dos palestrantes no recente BIG Festival 2022, com o painel “Por que NFT é um Pesadelo”. Segundo ele, os jogos “play-to-earn” acabam por desviar do objetivo de um jogo, que é o entretenimento.

“Play-to-earn faz algo que nunca foi feito antes, que é transformar os jogos em uma atividade econômica”, comentou Venturelli. “Isso torna muito difícil convencer as pessoas de fazer uma coisa por ser divertida”, complementou.

“Gunstars” apresentou instabilidades nos primeiros dias de lançamento, mas fez um relativo sucesso, com cerca de 10 mil usuários ativos por dia. Segundo a Snackclub, 50 mil usuários baixaram o game na primeira semana. O jogo é um battle royale de tiro em terceira pessoa e possibilita a exploração de arenas de combate.

A reportagem completa da Rest of World pode ser acessada aqui.

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