Caso de abuso infantil faz Mastercard e Visa desmonetizarem anúncios no Pornhub

William Schendes
William Schendes, editado por Acsa Gomes 05/08/2022 07:30, atualizada em 08/08/2022 08:16

Visa e Mastercard anunciaram a suspensão das transações financeiras das suas redes de pagamento no Traffic Junky, plataforma de publicidades em diversos sites pornográficos da MindGeek, dona do Pornhub. O anúncio vem após o juiz Cormac J. Carney decidir que a Visa poderia ser processada por um caso de 2014 envolvendo abuso infantil.

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Com a decisão, anúncios não poderão mais ser comprados nos sites da Mind Geek usando as bandeiras das duas redes. As empresas gigantes dos meios de pagamento deram suas declarações sobre o caso. CEO da Visa, Alfred Kelly disse: “deixamos claro que os adquirentes e comerciantes que não conseguem atender aos nossos padrões e requisitos não são bem-vindos em nossa rede”. 

A Mastercard afirmou em comunicado que: “novos fatos da decisão judicial da semana passada nos alertaram sobre a receita de publicidade fora de nossa visão que parece fornecer financiamento indireto ao Pornhub”. “Temos tolerância zero para atividades ilegais em nossa rede. Continuaremos a acompanhar este caso e tomaremos outras medidas, conforme necessário”.

Em 2020, a Visa e Mastercard já haviam suspendido as compras por suas bandeiras de cartão aos usuários que faziam pagamentos no Pornhub e outros sites de pornografia da MindGeek. Tudo após a reportagem “The Children of Pornhub” do New York Times, que trouxe a público o caso de Serena Fleites que, aos 13 anos, teve um vídeo explícito publicado no Pornhub.  

O vídeo de 2014 teve cerca de 400 mil visualizações. Fleites disse que após tomar o conhecimento do vídeo entrou em contato com a MindGeek se passando pela mãe da garota presente no vídeo e informar a empresa que o conteúdo se qualificava como pornografia infantil. Semanas depois o vídeo foi removido. 

Fleites sofreu psicologicamente durante anos devido ao fato. Suas relações familiares foram desfeitas e foi morar com um amigo. Nessa época um homem se aproximou dela e ofereceu heroína a ela. A garota ficou viciada na droga e para financiar o vício o abusador pedia que ela criasse vídeos explícitos ainda criança. Alguns vídeos foram publicados novamente no Pornhub.

Mastercard e Visa não poderão ser mais usadas para comprar anúncios nos sites da Mind Geek. Imagem: In Green / Shutterstock.com

Visa poderá ser processada

O julgamento do caso foi aberto em junho de 2021 e ainda está aberto pelo Tribunal Distrital dos EUA do Distrito Central da Califórnia. Na última sexta-feira, 29 de julho, o juiz responsável pelo caso declarou que a Visa pode ser processada por corroborar com a monetização dos vídeos de abuso. “O Tribunal pode inferir confortavelmente que a Visa pretendia ajudar a MindGeek a monetizar a pornografia infantil pelo próprio fato de que a Visa continuou a fornecer à MindGeek os meios para fazê-lo e sabia que a MindGeek estava de fato fazendo isso”, disse Carney.

O juiz ainda completou dizendo que, “em outras palavras, a Visa não é acusada de ter simplesmente criado um incentivo para cometer um crime. É alegado ter fornecido conscientemente a ferramenta usada para completar um crime”.

Em entrevista a BBC, um porta-voz da Visa disse que a empresa condena o conteúdo de abuso sexual infantil. “Esta decisão pré-julgamento é decepcionante e descaracteriza o papel da Visa e suas políticas e práticas. A Visa não tolerará o uso de nossa rede para atividades ilegais. Continuamos a acreditar que a Visa é uma ré imprópria neste caso.”, disse o representante não identificado da empresa.

Imagem: Casimiro PT / Shutterstock.com

Com informações de Variety e BBC

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William Schendes
William Schendes

Jornalista em formação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Mesmo com alguns assuntos negativos, gosta ficar atualizado e noticiar sobre diferentes temas da tecnologia.

Acsa Gomes
Acsa Gomes

Acsa Gomes é formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela FAPCOM. Chegou ao Olhar Digital em 2020, como estagiária. Atualmente, faz parte do setor de Mídias Sociais.

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