Nas últimas semanas, um medicamento que induz ao sono viralizou nas redes sociais, não apenas por relatos de comportamentos incomuns, mas devido a quantidade de pessoas que disseram fazer uso do remédio – alguns possivelmente sem prescrição médica. Estamos falando do Zolpidem, fármaco hipnótico indicado para tratamento breve da insônia. 

O remédio ganhou destaque após um jovem no Twitter contar que tomou o Zolpidem e teve alucinações. Pedro Henrique chegou a comprar dois pacotes de viagem por R$ 9,2 mil reais, mas não se lembra de ter realizado a compra, apenas viu a cobrança em sua fatura do cartão de crédito no outro dia. 

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Segundo reportagem do G1, o Zolpidem é um medicamento seguro, mas só deve ser usado e vendido com prescrição médica, já que, ao tomar, “a pessoa tem um rebaixamento do nível de consciência e acaba entrando no sono com mais facilidade”, explicou o psiquiatra Henrique Bottura, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista, ao portal. 

“O remédio não deve ser demonizado, mas existem alguns perigos. A pessoa pode fazer refeição fora de hora, arrumar a casa, dirigir pela cidade, mandar mensagens e não lembrar. Um efeito colateral que não é tão raro e é potencialmente perigoso”, acrescentou o psiquiatra Daniel Barros. 

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Uma das características que não levamos em conta ao fazer uso do remédio é o risco de sonambulismo, alerta que é descrito na bula: “este medicamento pode causar sonambulismo ou outros comportamentos incomuns (dormir enquanto dirige, se alimenta, faz uma ligação de telefone ou durante o ato sexual) enquanto não está totalmente acordado […] Na manhã seguinte, você poderá não lembrar o que fez durante a noite.” 

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Outro ponto importante a mencionar é que o Zolpidem causa dependência, por isso o tratamento é de curto prazo e precisar ser acompanhado por um profissional. “O zolpidem veio como solução para remédios como o rivotril, lexotan, que já sabíamos que tinha potencial de dependência. Ele veio como alternativa, que não teria risco de dependência. Mas na prática não é bem assim. Ele também causa dependência e tem sido prescrito de forma indiscriminada. Ele não é um remédio tão inocente quanto já se pensou”, destacou Bottura. 

Entre as principais orientações para quem faz uso do remédio estão: tomar apenas antes de dormir; não sair da cama depois de ingerir o remédio; não misturar com álcool, maconha ou com outros remédios que dão sono. 

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Zolpidem: jovem alucina e gasta R$ 9 mil após tomar o remédio; entenda os riscos do medicamento. Imagem: Tero Vesalainen – Shutterstock

No caso do jovem do Twitter, que foi diagnosticado clinicamente com transtorno de ansiedade, o caso da falha de memória é totalmente possível, segundo especialistas ao G1. Inclusive, a bula do Zolpidem também faz o alerta para amnésia anterógrada (perda da memória para fatos que aconteceram logo após o uso do medicamento), que em geral ocorre algumas horas após a administração. 

Vale ressaltar que o Zolpidem é um remédio útil, seguro e importante para o tratamento de muitas pessoas. O alerta sobre o medicamento fica ainda mais para pessoas que usam o fármaco sem prescrição ou para recreação. Por possuir riscos ele não deve ser consumido sem a orientação de um médico. 

Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), 73 milhões de pessoas sofrem de insônia no Brasil. Além disso, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) já mostraram que o Brasil é o país mais ansioso do mundo (2019) e um dos líderes em casos de depressão. Este cenário se intensificou nos últimos anos, principalmente após a chegada da pandemia da Covid-19

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