Direto de Detroit – Se tem um objetivo que vem sendo traçado pela indústria automobilística nos últimos anos, este é o da direção autônoma. Muito motorista torce o nariz quando este assunto aparece na mesa, mas eu sou um entusiasta e quero mesmo é um carro onde eu entro, aperto um botão (ou alguns para escrever o endereço) e ele chega no destino.

A Tesla ficou famosa com sua tecnologia neste sentido e forçou a evolução de toda a indústria, que vem transformando os carros em softwares sobre rodas. Em 2017 a GM mostrou ao mundo como pretende ter este tipo de condução autônoma, ou parte dela, com o Super Cruise presente inicialmente apenas em sua marca de luxo: a Cadillac.

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A marca americana vem expandindo a tecnologia e nos convidou para dar uma volta pela região de Detroit, sem colocar as mãos no volante e eu conto a experiência no vídeo acima, mas com mais detalhes nos parágrafos abaixo.

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Super Cruise é, mas não é direção autônoma

Super Cruise em um Bolt EV (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Super Cruise em um Bolt EV (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Primeiro, é necessário entender que o modo autônomo da Tesla é muito diferente do proposto pela GM. Enquanto nos carros de Musk o próprio veículo entende todo o entorno, utilizando apenas alguns dados do mapa da região, a General Motors resolveu primeiro passar pelas estradas americanas com lasers (LiDAR) para mapear em detalhes todas as nuances das rodovias, para então entregar essa informação para o carro.

Não que o Super Cruise viaje apenas com algumas câmeras e atenção somente no mapa previamente calculado, mas na GM o serviço depende destes dados para meio que dividir o trabalho com os radares e sensores espalhados pelo veículo. Como a tecnologia veio evoluindo ao longo dos anos, o modelo escolhido pela marca americana para o teste foi o pequeno Bolt – praticamente um carro mais popular por lá, muito distante do preço e luxo dos Cadillac.

Por enquanto são mais de 321 mil quilômetros de rodovias dos Estados Unidos que têm este mapa detalhado e registrado. Ele engloba até mesmo algumas partes do Canadá, mas o foco está nos EUA. Você precisa entrar no carro, seja ele um simples Bolt ou um luxuoso Cadillac, dirigir até a estrada e o GPS do veículo entende que o local já foi registrado, liberando então um pequeno ícone de direção no painel do motorista.

GM quer sua atenção no volante

Basta apertar o mesmo ícone, agora no botão físico do volante, para que o carro assuma a direção. Ele funciona em conjunto com o piloto automático adaptativo, então quando aparece um engarrafamento ou o carro da frente desacelera, o seu faz a mesma coisa e até para por completo. Quando o outro motorista acelera novamente o seu também faz isso, sozinho.

Ícone de direção indica o Super Cruise ativado (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Ícone de direção indica o Super Cruise ativado (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Este ícone de direção deixa de ser cinza para adotar a cor verde e no volante, no topo dele, existe uma barra escura que exibe uma faixa verde quando o Super Cruise está ativado.

Incluir apenas grandes rodovias certamente está ligado com os desafios de estradas menores, onde as faixas são mais estreitas e o tráfego no sentido contrário pode existir. Atualmente o Super Cruise, incluindo o que eu testei, segue a linha da highway onde você está e até faz ultrapassagens quando o espaço lateral permite – dando até seta!

A estrada que dirigia estava em obras e o traçado dela foi levemente alterado para o lado. Este pequeno detalhe fez o Super Cruise ser desligado por não mais entender onde estava – a informação do LiDAR era diferente do que os radares do veículo estavam “vendo”. Foi o desenho da rodovia voltar ao normal para que o volante pudesse ser controlado pelo carro mais uma vez.

Super Cruise presta atenção na atenção do motorista

Assim como você precisa dirigir o carro até onde o Super Cruise permite que ele dirija sozinho, a partir do momento que a viagem sai da rodovia mapeada, o sistema é desligado automaticamente e você vai colocar as mãos no volante para chegar ao destino. Ao menos neste momento o piloto automático adaptativo continua funcionando normalmente.

Você deve ter pensado que basta apertar um botão e o carro faz toda a viagem sozinho, dando até um tempo para cochilo no banco do motorista, ou então um jogo de cartas com o passageiro. Não é bem assim. O Super Cruise não é um serviço de direção completamente autônoma e exige a atenção do usuário para a pista.

Câmera e sensores do Super Cruise no volante (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Câmera e sensores do Super Cruise no volante (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Para saber se você dormiu ou se está no celular, ou batendo papo sem olhar para frente, uma câmera logo acima da direção está sempre apontada para o rosto do motorista e dois sensores infravermelho monitoram a cabeça da pessoa. A ideia é: se o carro percebe a desatenção, seja ela qual for, ele pisca a luz verde do Super Cruise do volante e se isso não for suficiente, o sistema treme o banco para chamar atenção.

Neste momento o carro pede para que o motorista coloque as mãos no volante, mas sem fazer pressão ou virar nada. Se ainda assim nada for feito, a luz piscante fica vermelha e a tela central diz que o Super Cruise foi desligado, desacelerando o carro gradualmente e colocando o veículo no acostamento. Isso é importante em casos onde o motorista passou mal e precisa de ajuda.

Se este for o caso, o carro liga sozinho para o serviço de ajuda e pede socorro. Eu não testei isso, mas acredito sim que o recurso funciona. Se o motorista estiver atento novamente, pode controlar o veículo de forma manual e reativar o Super Cruise mais uma vez.

Carro não quer você ganhando multa

Botão para ligar o Super Cruise (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Botão para ligar o Super Cruise no volante (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Existe uma penalidade para quando o motorista precisa ser lembrado para prestar atenção na rodovia por muitas vezes. Ela aparece ao impedir a reativação do Super Cruise, exigindo a direção convencional por algum tempo até que possa entregar a assistência mais uma vez.

O resumo da obra é: o mapeamento é importante e dá informações cruciais para a segurança do veículo e de todos, mas existem pontos negativos, como o da obra que “redesenhou” a pista e isso desligou o Super Cruise – mesmo em uma rodovia mapeada.

Super Cruise já tem evolução: Ultra Cruise

Atualmente a GM trabalha na evolução de seu sistema e ele será chamado de Ultra Cruise, entregando 3,21 milhões de quilômetros de rodovias mapeadas e ele inclui até mesmo ruas das cidades. A empresa promete que a nova ferramenta poderá ser ativada em 95% de todos os cenários nos Estados Unidos e Canadá, basicamente permitindo que o motorista saia de casa, digite o destino no mapa, aperte um botão e o carro chega lá sozinho – fazendo curvas, trocando de ruas e estacionando no final.

Enquanto este cenário não chega, a GM prometeu em agosto dobrar o alcance do Super Cruise para 642 mil quilômetros de rodovias e estradas mapeadas. Nenhuma delas no Brasil – mesmo com o Bolt EV sendo lançado aqui oficialmente nesta semana.

André Fogaça viajou para os Estados Unidos a convite da GM.

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