Neste ano, o Twitter considerou fazer uma mudança drástica no aplicativo: a equipe queria permitir conteúdos adultos para monetizar. A ideia era proporcionar, aos criadores desse tipo de conteúdo, o início das vendas de assinaturas pagas numa proposta semelhante ao que é disponibilizado no OnlyFans, mas o Twitter reteria uma porcentagem desse dinheiro.

Se o projeto tivesse sido aprovado, a rede social estaria correndo um tremendo risco de backlash (sentimento forte entre um grupo de pessoas em reação a uma mudança ou a um evento recente na sociedade) ou na política dos anunciantes, os quais são responsáveis pela maior parte da receita do Twitter. Porém, o novo serviço poderia ter gerado mais receita e superaria as perdas proporcionalmente.

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Como o Twitter já é o principal canal de marketing dos criadores de conteúdo do OnlyFans, alguns executivos imaginaram que a plataforma poderia tranquilamente começar a reter um pouco do dinheiro destinado a esses conteúdos adultos através do projeto ACM: Monetização de Conteúdo Adulto.

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Entretanto, de acordo com documentos obtidos pelo site The Verge juntamente com algumas entrevistas recentes de antigos e atuais funcionários, antes do lançamento, o Twitter convocou 84 empregados e formou um grupo nomeado como “Equipe Vermelha”. O objetivo com isso era forçar a decisão de permitir que os criadores adultos monetizassem dentro da plataforma.

Homem olhando imagens pornográficas na tela do computador
twitter conteúdo adulto
Imagem: M-Production/Shutterstock

A Equipe Vermelha fez uma descoberta que tirou o projeto do caminho: o Twitter não podia e continua não podendo permitir, com segurança, que os criadores adultos vendam assinaturas, pois, a empresa não está fiscalizando de fato os conteúdos sexuais nocivos na plataforma. Ou seja, os vídeos para maiores de idade poderiam ser vistos por menores.

Em abril de 2022, a equipe concluiu que “o Twitter não pode detectar com precisão a exploração sexual infantil e a nudez não consensual em escala”. A empresa também precisa de ferramentas para verificar corretamente se os criadores e consumidores dos conteúdos adultos têm idade legal.

Em maio, algumas semanas depois de Elon Musk concordar em comprar o aplicativo por US$ 44 bilhões (mais de R$ 224 bilhões), o Twitter atrasou essa ideia sem definir um prazo de recomeço.

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