Twitter queria imitar o OnlyFans, mas pornografia infantil barrou a ideia

Entenda como o risco de pornografia infantil atrasou os planos do Twitter de monetizar o conteúdo adulto de seus usuários
Alanis Meira, editado por Matheus Barros 30/08/2022 17:00, atualizada em 31/08/2022 09:42
Twitter
Crédito: XanderSt/Shutterstock

Neste ano, o Twitter considerou fazer uma mudança drástica no aplicativo: a equipe queria permitir conteúdos adultos para monetizar. A ideia era proporcionar, aos criadores desse tipo de conteúdo, o início das vendas de assinaturas pagas numa proposta semelhante ao que é disponibilizado no OnlyFans, mas o Twitter reteria uma porcentagem desse dinheiro.

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Se o projeto tivesse sido aprovado, a rede social estaria correndo um tremendo risco de backlash (sentimento forte entre um grupo de pessoas em reação a uma mudança ou a um evento recente na sociedade) ou na política dos anunciantes, os quais são responsáveis pela maior parte da receita do Twitter. Porém, o novo serviço poderia ter gerado mais receita e superaria as perdas proporcionalmente.

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Como o Twitter já é o principal canal de marketing dos criadores de conteúdo do OnlyFans, alguns executivos imaginaram que a plataforma poderia tranquilamente começar a reter um pouco do dinheiro destinado a esses conteúdos adultos através do projeto ACM: Monetização de Conteúdo Adulto.

Entretanto, de acordo com documentos obtidos pelo site The Verge juntamente com algumas entrevistas recentes de antigos e atuais funcionários, antes do lançamento, o Twitter convocou 84 empregados e formou um grupo nomeado como “Equipe Vermelha”. O objetivo com isso era forçar a decisão de permitir que os criadores adultos monetizassem dentro da plataforma.

Homem olhando imagens pornográficas na tela do computador
twitter conteúdo adulto
Imagem: M-Production/Shutterstock

A Equipe Vermelha fez uma descoberta que tirou o projeto do caminho: o Twitter não podia e continua não podendo permitir, com segurança, que os criadores adultos vendam assinaturas, pois, a empresa não está fiscalizando de fato os conteúdos sexuais nocivos na plataforma. Ou seja, os vídeos para maiores de idade poderiam ser vistos por menores.

Em abril de 2022, a equipe concluiu que “o Twitter não pode detectar com precisão a exploração sexual infantil e a nudez não consensual em escala”. A empresa também precisa de ferramentas para verificar corretamente se os criadores e consumidores dos conteúdos adultos têm idade legal.

Em maio, algumas semanas depois de Elon Musk concordar em comprar o aplicativo por US$ 44 bilhões (mais de R$ 224 bilhões), o Twitter atrasou essa ideia sem definir um prazo de recomeço.

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Alanis Meira

Estagiária de redação do site Olhar Digital

Matheus Barros
Matheus Barros

Formado em Jornalismo pela FIAM FAAM, Matheus Barros iniciou seu trabalho em redação jornalística no portal da RedeTV! e hoje atua como repórter de Internet e Redes Sociais do Olhar Digital.

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