Um avanço relativamente recente na luta contra o câncer foi a criação da terapia de células CAR-T, tratamento que envolve a modificação de células do sistema imune conhecidas como células T. Os cientistas descobriram um jeito de remover células T do sangue de um indivíduo, inserir um tipo especial de gene chamado de um receptor que se liga a células cancerígenas, e transferir estas células de volta ao paciente.

Este receptor CAR, sigla em inglês que significa “receptor de antígeno quimérico”, é adaptado para corresponder ao câncer específico que está sendo direcionado e foi considerado eficaz no tratamento de certos tipos de câncer, especialmente leucemia. Uma vez que as células CAR-T reentram na corrente sanguínea, elas começam a se replicar e começam sua luta.

“É uma tecnologia muito empolgante”, comenta Wilson Wong, professor associado de engenharia biomédica da Faculdade de Engenharia da Universidade de Boston, que estuda células CAR-T há mais de 10 anos. Mas ele admite que há problemas de segurança que podem tornar a terapia extremamente arriscada.

É que as células CAT-T podem superestimular o sistema imunológico, o que desencadeia a liberação de uma substância chamada citocina. Isso pode causar uma condição inflamatória potencialmente fatal conhecida como síndrome de liberação de citocinas. Outras complicações graves podem incluir dificuldades neurológicas ou outros órgãos do corpo sendo equivocadamente atingidos pelas células.

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E é aí que entra a novidade neste tratamento. Para tornar a terapia com células CAR-T menos arriscada para os pacientes, Wong e uma equipe de pesquisadores estão trabalhando para criar um interruptor de segurança embutido no design da célula CAR-T. Em um novo artigo na Cancer Cell, os pesquisadores revelam um novo tipo de célula CAR-T que pode ser ativada ou desativada, tornando possível impedir a ativação das células antes que ocorram efeitos colaterais graves.

Este novo sistema cria células desenhadas para serem controladas, e é chamado de VIPER – Versatile ProtEase Regulatable. As células CAR-T VIPER podem ser “desativadas” ao administrar uma droga antiviral no paciente, que interrompe a sua atividade. Assim, as questões de segurança relacionadas a células CAR tradicionais são reduzidas. “Nós vemos isso como a próxima geração desse tipo de terapia”, diz Wong.

Todas as células CAR-T tem parte do receptor no exterior da membrana celular, enquanto parte dele fica no interior da célula. A parte que fica no lado de fora da membrana se liga aos antígenos cancerígenos, o que ativa a célula T e destrói a célula cancerígena.

As células CAR-T VIPER têm uma cadeia proteica especial inserida próximo ao receptor. Dois tipos diferentes de sistemas foram criados pelos pesquisadores. Um que é ligado quando as VIPER CAR são transferidas de volta ao paciente, e outro que é desligado. Ambos funcionam de formas ligeiramente diferentes, mas podem ser ligados ou desligados pelo paciente ao tomar uma droga que é geralmente utilizada para o tratamento de hepatite C.

“Essa é a parte mais empolgante deste estudo, que os antivirais já foram aprovados pela FDA”, diz Huishan Li, principal autor do artigo e pós-doutorando no laboratório de Wong e no Khalil Lab. Quando administrada, a molécula da droga interage com a cadeia de proteína inserida, iniciando uma série de reações na célula para fazê-la se desengatar ou ativar, dependendo de qual sistema está sendo usado.

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Por enquanto, este trabalho foi feito em culturas de células e camundongos. E para testar ainda mais sua abordagem, a equipe de pesquisa comparou seus resultados com outros estudos semelhantes, descobrindo que as células VIPER CAR-T superaram outros sistemas.

Eles também usaram o VIPER ao lado de outros tipos de CARs dentro da mesma célula T – ou seja, a célula T foi projetada com dois receptores diferentes de combate ao câncer. Isso pode permitir que as células T projetadas atinjam dois marcadores de câncer diferentes ao mesmo tempo, diz Wong, abrindo a porta para ainda mais avanços na terapia genética do câncer.

Via Medical Xpress

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