Um novo estudo publicado na Science apresenta um indício do motivo de os neandertais, uma espécie que viveu na Europa, não estarem mais entre nós. Ao que tudo indica, existe uma mutação genética no Homo sapiens que permitiu o desenvolvimento de mais neurônios no neocórtex. Essa área é responsável pela cognição.

Embora o Homo sapiens seja a única espécie humana restante na Terra hoje, há milhares de anos o planeta assistiu à convivência entre representantes de outras nove espécies de humanos. Essa redução é motivo de questionamento por parte da comunidade científica, que foi em busca de tentar compreender o que houve com os outros humanos.

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Conhecido como TKTL1, o gene difere da versão neandertal por apenas um bloco de construção de aminoácidos. Todos os seres humanos modernos são dotados dessa mudança. Entretanto, aqueles que foram extintos, como os neandertais, denisovanos e outros primatas não apresentaram a mutação.

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Ainda não se sabe exatamente se essa alteração interfere na produção de melhores ferramentas, armas, linguagem adequada, arte, simbolismo, ou até mesmo em cérebros melhores, características evolutivas que teoricamente asseguraram a sobrevivência do Homo sapiens em relação às outras espécies.

Aminoácido específico favoreceu característica evolutiva positiva

Neste estudo, os pesquisadores inseriram tanto a versão do TKTL1 encontrada nos neandertais quanto a versão encontrada em humanos modernos, em roedores em desenvolvimento. Aqueles que receberam o gene neandertal produziram menos células progenitoras, que dão origem a neurônios. Para verificar se o desenvolvimento seria diferente em seres humanos, os pesquisadores decidiram utilizar o gene TKTL1 no tecido cerebral fetal humano. O resultado foi o mesmo: menos células progenitoras.

Ao aplicarem o gene em um sistema cerebral um pouco mais complexo, composto por mini estruturas cerebrais cultivadas em laboratório e criadas a partir de células-tronco humanas, o mesmo padrão se repetiu. O neurobiólogo da Universidade de Liège, Rodrigo Pérez Ortega, disse que “essa descoberta é realmente um avanço”, pois ela mostra que “uma única mudança de aminoácido é extremamente importante e dá origem a consequências incríveis em relação ao cérebro”.

Estudos sobre outras 96 diferenças genéticas

De acordo com o Times, embora um cérebro com mais neurônios não resulte necessariamente em uma inteligência superior, os achados podem indicar que uma mudança na estrutura cerebral tiveram repercussões cognitivas vantajosas, que asseguraram a sobrevivência da espécie.

De forma a complementar esse resultado, os cientistas precisam continuar as investigações sobre as outras 96 diferenças encontradas entre o genoma humano e o dos neandertais que mudam a estrutura de uma proteína.

Via: Smithsonian

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