O telescópio James Webb fez sua estreia ao mundo lançando uma fotografia histórica tida como a imagem mais profunda já tirada do universo. Mas isso significa mais do que parece: ao registrar recantos tão distantes do espaço, o telescópio está também viajando no tempo. Mas como isso é possível?

“Telescópios podem ser máquinas do tempo. Perscrutar o espaço é como lançar o olhar para o passado”, explicaram cientistas da NASA no site WebbTelescope.org. “Pode soar mágico, mas é algo muito simples: a luz precisa de tempo para viajar por longas distâncias antes de chegar até nós.”

De fato, mesmo que atinja uma velocidade incrivelmente rápida (aproximadamente 1 bilhão de km/h), toda a luz que vemos – até mesmo o brilho de uma lâmpada no mesmo cômodo -, leva tempo para chegar aos nossos olhos. Mas, quando se trata de objetos distantes no espaço, como uma estrela, essa luz leva muito mais tempo para nos alcançar.

No caso do Sol, a estrela mais próxima de nós, situada a cerca de 150 milhões de quilômetros da Terra, a luz por ele emitida leva aproximadamente 8 minutos e 20 segundos para chegar até aqui. Logo, quando olhamos para o Sol, não o estamos vendo agora, mas como ele estava há 8 minutos e 20 segundos. Estamos vendo o passado.

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Primeira imagem divulgada pelo James Webb | Crédito: NASA.

James Webb, um explorador temporal

Embora, como explicado acima, não seja necessário um telescópio potente para que enxerguemos o passado, as coisas mudam quando a intenção é mergulhar no passado remoto, como, vejamos… o surgimento do universo.

Nessa tarefa, o James Webb é excepcional. Ele não apenas consegue capturar imagens detalhadas de galáxias longínquas, como identificar a luz em comprimentos de onda invisíveis aos olhos humanos, caso das ondas infravermelhas.

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Muitas coisas, incluindo os seres humanos, emitem calor através de ondas infravermelhas. Quando captadas por equipamentos especializados, essas ondas podem revelar alguns dos objetos mais difíceis de se encontrar no universo, isso porque a radiação infravermelha pode passar por regiões densas e “esfumaçadas” do espaço com muito mais facilidade que a luz visível aos olhos humanos. Muitas estrelas e galáxias distantes só são conhecidas porque somos capazes de identificar suas emissões invisíveis com nossa tecnologia.

Somente assim o James Webb é capaz de nos mostrar objetos tão distantes que sua luz foi emitida há mais de 13 bilhões de anos, quando o universo não passava de um bebê.

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