Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos EUA (NIEHS) identificou uma ligação entre produtos químicos utilizados para alisar os cabelos e o câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical.  

A pesquisa, publicada no Journal of the National Cancer Institute, acompanhou por quase 11 anos mais de 33 mil mulheres. Dentre as que usaram um produto de alisamento químico mais de quatro vezes nos 12 meses anteriores à pesquisa, 155% tiveram um risco aumentado de serem diagnosticadas com a doença. Dessas, 378 desenvolveram o câncer uterino.

Imagem: shutterstock/sruilk

Para fins de comparação, as que nunca receberam um tratamento de alisamento apresentaram 1,64% de chance de serem diagnosticadas com câncer de útero aos 70 anos. Esse número chega a 4,05% entre aquelas que frequentemente alisam o cabelo quimicamente — risco ainda pequeno, mas significativamente maior. 

Segundo os cientistas, mulheres negras são as mais propensas, principalmente as mais jovens. Um segundo levantamento revelou que 89% das mulheres afro-americanas usam relaxantes químicos ou alisadores. 

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No geral, os resultados apenas reforçam outros estudos que já haviam associado o uso de produtos químicos ao desenvolvimento de câncer. O artigo explicou que produtos capilares, como os de alisamento, podem imitar a produção de estrogênio e progesterona, hormônios naturais do corpo da mulher, e perturbar o sistema endócrino (responsável pela produção dos hormônios). Essa pertubação, que geralmente causa uma produção em excesso, pode influenciar o risco de câncer uterino.

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Produtos para cabelo e o câncer

De acordo com divulgação do Science Alert, em 2018, 18 produtos capilares foram testados sendo classificados como desreguladores endócrinos. Além disso, 84% dos produtos químicos identificados não estavam listados nos rótulos e 11 continham substâncias proibidas pela Diretiva de Cosméticos da União Europeia ou não eram regulamentados pela lei da Califórnia. 

O atual estudo mostrou que a tintura de cabelo não foi relacionada ao câncer de colo de útero, mas uma pesquisa de 2019 descobriu que todos os produtos químicos de alisamento, e também as tinturas, aumentam o risco de câncer de mama. Neste caso a taxa também foi maior em mulheres negras, que tendem a receber os tratamentos com mais frequência. Outro levantamento, esse de 2021, ainda ligou os mesmos produtos a um terceiro tipo de câncer: o de ovário. 

O câncer uterino, o mais comum do sistema reprodutor feminino, representa cerca de 3% dos novos casos de tumores nos Estados Unidos a cada ano. Embora possua boas chances de cura se detectado precocemente, o tratamento geralmente envolve a remoção do útero, impossibilitando a gravidez. 

O estudo não coletou informações sobre produtos ou marcas específicas, mas citou a presença de formaldeído (famoso formol), parabenos, bisfenol A e metais em todas as substâncias químicas estudadas e associadas ao risco de câncer. 

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