O explorador de pesquisa infravermelha de campo largo (NEOWISE) da NASA captou imagens incríveis do céu terrestre que mostram como ocorre o seu movimento e suas mudanças. A cada seis meses, esse telescópio completa uma viagem no meio do Sol e tira imagens em todas as direções.

Quando as imagens são unidas elas formam um mapa de “todo o céu” mostrando a localização e o brilho de centenas de milhões de objetos. Foram utilizados 18 mapas do céu produzidos pela espaçonave, que se estendem por uma década.

De acordo com o site da NASA, cada mapa representa um tremendo recurso para os astrônomos, pois quando vistos em sequência, como um lapso de tempo, eles atuam como um recurso ainda mais forte para tentar entender melhor o que acontece no Universo. Além disso, comparar os mapas pode revelar objetos distantes que eventualmente mudaram de posição ou brilho ao longo do tempo, o que é conhecido como “astronomia de domínio do tempo”.

Leia mais:

publicidade

A principal pesquisadora da NEOWISE, Amy Mainzer, da Universidade do Arizona, disse que ao observar o céu noturno ela “aparentemente” não muda, mas “estrelas estão queimando e explodindo. Asteroides estão passando por aqui. Buracos negros estão destruindo estrelas. O Universo é um lugar muito ocupado e ativo”, disse Mainzer.

O NEOWISE foi desenvolvido originalmente como um projeto de processamento de dados para recuperar detecções e características de asteroides da WISE, um observatório lançado em 2009 e encarregado de digitalizar todo o céu para encontrar e estudar objetos fora do Sistema Solar.

Reprodução: NASA/YouTube

A espaçonave usou detectores criogenicamente resfriados que os tornavam sensíveis à luz infravermelha. Esse comprimento de onda, que não é visível ao olho humano, é irradiado por uma infinidade de objetos cósmicos, como estrelas frias e algumas das galáxias mais luminosas do Universo.

Com o fim da missão WISE, em 2011, a NASA conseguiu reaproveitar os equipamentos da missão para rastrear asteroides e outros objetos próximos à Terra, também conhecidos como NEOs. Tanto a missão quanto a espaçonave receberam um novo nome: NEOWISE.

Somente em 2020, os cientistas lançaram o projeto chamado CatWISE. Trata-se de um catálogo de objetos de 12 mapas NEOWISE do céu. Os pesquisadores usam o catálogo para estudar estrelas anãs marrons, uma população de objetos encontrados em toda a galáxia e também próximos do nosso Sol. Essas estrelas marrons não brilham, pois não acumulam massa suficiente para iniciar o processo de fusão.

Novas descobertas sobre estrelas e buracos negros

Através desses esforços e de projetos complementares, os cientistas encontraram cerca de 200 anãs marrons a apenas 65 anos-luz do nosso Sol. Uma contagem mais completa de anãs marrons perto do Sol aponta para os cientistas como se deu a formação estelar na Via Láctea e quão cedo ela começou. Além disso, eles puderam compreender como as estrelas se formam, afinal, foram monitoradas, mas ao longo desse tempo quase 1.000 protoestrelas com o NEOWISE.

Esse exame foi tão amplo que a compreensão dos buracos negros também foi aprimorada. A pesquisa original da WISE descobriu milhões de buracos negros supermassivos nos centros de galáxias distantes. Um estudo recente se dedicou a medir o tamanho dos discos de gás quente e brilhante em torno de buracos negros distantes, que são muito pequenos para qualquer telescópio resolver.

As potencialidades dos dados obtidos por essa pesquisa são inúmeras. O astrônomo do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e cientista do projeto WISE, Peter Eisenhardt, declarou que ” não prevíamos que a espaçonave estaria operando tanto tempo, e não acho que poderíamos ter imaginado a ciência que poderíamos fazer com esses dados”.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!