Com o lançamento de mais de mil satélites por ano, o campo da ciência da Terra está em pleno desenvolvimento. Pesquisadores que estudam as mudanças climáticas que acontecem no planeta devido ao aquecimento global estão mais de olho no problema do que nunca. Na semana da COP 27, a principal conferência sobre clima no mundo, o tema voltou a ganhar destaque.

Ao olhar para o passado, o primeiro satélite que foi lançado ao Espaço com a finalidade de fornecer novas percepções a respeito da ionosfera foi o Sputinik 1, em 1957. Nos anos e décadas que se seguiram, outros exemplares foram lançados para estudar a atmosfera, rastrear padrões climáticos do Espaço e monitorar as massas e mares terrestres do planeta.

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Com todos os dados que foram obtidos pelos satélites, os cientistas ao longo dos últimos 60 anos estipularam importantes marcadores da saúde do planeta. Dentre eles estão o rastreamento detalhado das áreas de vegetação, a qualidade do solo, as mudanças de temperatura em diferentes regiões, o aumento do nível do mar e a espessura das camadas de gelo. A tendência é de que, com instrumentos mais precisos, as medições sejam refinadas.

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Os cientistas já aproveitaram os avanços ocorridos até aqui para captar dados de satélites que rastreiam mudanças mensais no campo gravitacional da Terra para uma compreensão mais precisa das mudanças sazonais na massa de gelo e para entender o impacto iminente no nível do mar à medida que ele derrete. Chegou-se à conclusão de que serão derretidos até 110 quatrilhões de toneladas de gelo, mesmo que a humanidade pare de queimar combustíveis fósseis hoje. Isso é o suficiente para elevar o nível médio global do mar em quase 30 centímetros.

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Imagem: Urso polar em cima de uma calota de gelo. Créditos: PHOTOCREO Michal Bednarek/Shutterstock

Em entrevista ao New Atlas, Will Colgan, autor do estudo sobre o derretimento da Groenlândia, declarou que “trabalhar com um volume tão grande de dados seria inconcebível para a maioria dos usuários há 10 anos. Mas agora avanços de computação de maior desempenho significam que muitos pesquisadores podem trabalhar com esses dados de maneiras significativas”.

Com mais de 150 satélites observando a Terra a partir da órbita e mais a caminho, a quantidade de ferramentas disponíveis e úteis para cientistas climáticos continua a crescer. Em março de 2002, a NASA lançou um par de naves espaciais para rastrear as forças gravitacionais da Terra. Esta missão foi chamada de Gravity Recovery and Climate Experiments (GRACE) e ocorreu entre 2002 e 2017, com a missão GRACE Follow-On lançada em 2018 para continuar seu trabalho.

Essa nova missão também conta com duas naves espaciais, que circundam a Terra a uma distância de cerca de 220 quilômetros uma da outra. Ao contornarem o planeta elas rastream precisamente as acelerações causadas pelas forças gravitacionais da Terra, com isso os cientistas podem construir um mapa do campo gravitacional.

Em grande parte das vezes, os dados obtidos são usados para medir como a água se move ao redor do planeta e é capaz de promover importantes insights sobre inundações, seca, uso de aquíferos de águas subterrâneas, aumento do nível do mar e perda de gelo nos polos. “Ser capaz de fazer essas medições foi um grande passo para os pesquisadores que estudam como as mudanças climáticas estão afetando o aumento do nível do mar”, complementou Colgan.

Satélites são utilizados para medir CO2 e derretimento das geleiras

O gás carbônico também é um elemento passível de monitoramento por parte dos satélites da NASA. Além de ser um componente inerente da atividade humana, ele também influencia no aquecimento global. Com isso em vista, em julho de 2014, a missão OCO-2 (Orbiting Carbon Observatory) da NASA foi projetada para coletar medições precisas do gás do efeito estufa do Espaço.

Com um mapeamento preciso de pontos de observação e entendimento da dinâmica do gás na atmosfera, é possível fazer predições, medir tendências, fazer relações de causa e consequência e tomar decisões mais assertivas a respeito da atividade humana e seus impactos no clima.

Em 2018, a NASA lançou uma nova missão para rastrear o derretimento de mantos de gelo e geleiras usando o altímetro laser mais avançado que já foi enviado ao Espaço. O instrumento está no orbitador satélite ICESat-2. Mais um instrumento que será de grande ajuda na previsão dos impactos do clima e no monitoramento das consequências das mudanças de temperatura.

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