Cientistas, ambientalistas e representantes do governo estão reunidos no Uruguai para negociar um tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre plásticos. As negociações ainda estão no começo e estima-se que sejam concluídas apenas em 2024. Entretanto, é possível ter um pequeno panorama do que está sendo debatido.

As principais moedas de troca na mesa são eliminar e substituir aditivos plásticos desnecessários e perigosos, projetar produtos plásticos a serem reutilizados e reciclados, garantir que os produtos sejam reutilizados e reciclados, e gerenciar a poluição plástica de forma ambientalmente responsável.

A conferência está acontecendo na cidade uruguaia de Punta del Este e conta com a representação de cerca de 150 países. A reunião durou até sexta-feira (02) e as negociações do tratado contarão com mais quatro conferências organizadas pelo Comitê Intergovernamental de Negociação (INC). O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) será o responsável por convocar a conferência diplomática para serem adotadas as medidas decididas nas conferências do INC.

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O desenrolar do tratado de ONU sobre plástico

A decisão de realizar essa primeira conferência veio após 175 países aprovarem uma resolução acerca da poluição por plástico. A humanidade produz cerca de um trilhão de quilos de plástico por ano, e até 2045 esse número ainda vai dobrar. De todos os plásticos já produzidos até hoje, apenas 9% dele foi reciclado. O restante provavelmente foi mandado para aterros ou queimados, além disso países desenvolvidos costumam mandar seu lixo para países subdesenvolvidos. Neles o lixo é queimado a céu aberto emitindo grandes quantidades de carbono na atmosfera.

Uma boa solução a ser tratada na conferência seria parar as produções do material, mas segundo a cientista de plásticos da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, Deonie Allen, isso não vai acontecer. “Não teremos um mundo sem plástico – isso não acontecerá em um futuro previsível. No entanto, da maneira como o usamos atualmente, essa é uma escolha que podemos fazer hoje.” disse ela em respostas a Wired.

Reduzir a produção já seria suficiente para viabilizar a reciclagem. No momento, é mais barato produzir plástico a partir de combustíveis fósseis, do que da reciclagem.  “A redução na produção de novos plásticos também deve aumentar o preço e a demanda por plástico reciclado, de modo que a reciclagem se torne realmente econômica” disse Melanie Bergmann, pesquisadora que escreveu artigo sobre o assunto e participou da conferência.

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